ALZHEIMER PODCAST

pra esquecer das coisas ruins, pra lembrar das coisas boas

MARY O AND THE PINK FLAMINGOS

Surf-punk psicodélico do jeito que diabo gosta

PAQUETÁ

O fino do surf music underground

5.12.12

ÀBrasa - Osso! (2012)




Atrasado nesse post, sei que uma pancada de blog já postou esse som, mas como tava lá na caixinha do e-mail e agora eu tô com um tempinho mais livre, resolvi subir nessa bagaça de sitio. ÀBrasa é um projeto/banda de hardcore melódico-instrumental-experimetal paulista formado em 2010 por Diego Xavier (Guitarra), Frederico Stigliano (Guitarra), Ascânio Andrade (Bateria) e Filipe Annechino (Baixo). Com influências que vão de Bad Brains à Hot Water Music, em 2012 o quarteto soltou o full  "Osso!", disco esse feito na base do "faça-você-mesmx", que contém 12 faixas com uma qualidade sonora perfeita. Mixagem e masterização tem a assinatura de Gabriel Zander. Apesar de ser instrumental, algumas vozes embelezam ainda mais esse lyndo registro. Participam com o agudo-de-tenor Milton Aguiar (Bayside Kings) na faixa "Traditions", Victor Franciscon (Bullet Bane) na cantiga "Coffe and Weed", alem do mestre Quique Brown (Leptospirose) e os idênticos Vinícius & Bernado Dias (Malvina)
Se tu gosta de som rápido, bem feito, pesado, melódico, sincero, esse som é pra tu. Um dos melhores lançamentos do underground nacional de 2012. Bom de ouvir em qualquer situação.
Trama virtual da banda: ÀBrasa 

Myspace: ÀBrasa ( Não)

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Reincidents - O Prisioneiro da Grade de Ferro - Demo (2012)





Reincidents é uma banda punk do Distrito Federal, mais especificamente das quebras do Riacho Fundo II e do Samambaia. Com influências de bandas como Mob 47, Rudimentary Peni, Disorder, Bosta Rala, Discarga Violenta e demais belezuras, nesse ano de 2012, depois de reformuladas em textos, riffs e ideias, a banda solta a demo " O Prisioneiro da Grade de Ferro", contendo 7 sons altamente agressivos e com sonoridade bem oitentista, com direito a reverb e aquelas coisas gostosas que só a sonoridade punk suja proporciona. Resistir é acreditar, e o registro passa essa mensagem através das letras, sem ter que abraçar causa, sem ter que ostentar status de merda através de coletivos falidos. Esse som é pra você que é livre da sua forma, livre de imposições, livre de rótulos, livre de falsas amizades, livre desse círculo vicioso que tenta matar as suas verdades. Seja reincidente de ações positivas, de ações subversivas, jamais se curve pra nenhum policial de cena ou de estado. Bom, é isso..., registro bem bacana, banda nova com pegada firmeza, vale muito ouvir!!!

Myspace: Reincidents (não)

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30.11.12

Ressonância Mórfica - Teratismo (Vídeo)

Ressonância Mórfica é grind/death de Goiânia e nos presenteia essa lynda sexta-sex com essa suave e bela cantiga intitulada "Teratismo". Hoje é dia de beber até cagar na calça, perder o juízo em boteco de chão de cera verde, dormir na Praça da Bíblia, anda com odor de bosta seca dentro de coletivo... 

Ataque Sonoro - 01/12 (Old Studio - Goiânia)



Ataque Sonoro

com as bandas:

Autoras do Fato
Missa de Corpo Presente
Murder
Piratas do Cachimbo

Data: 01/12/12 (Sábado)
Valor: 7 reais
Local: Old Studio (Goiânia)

Apoio: Hocus Pocus (www.hocus.com.br)

*Proibida a entrada de menores de 18 anos*

27.11.12

Desistä - Demo II (2011)



Então mano, final de ano chegando, a polícia-nazi-goianiense acelera o extermínio dxs jovens de periferia sem nenhuma cerimônia, aumenta a hipocrisia das pessoas e a desgraceira de som nesse blog nón para. Indo direto ao que interessa, Desistä é uma banda crust/metal punk oriunda do Rio de Janeiro (eu já tinha postado uma demo dos cabras, dá um clique aqui e confira a belezura.) e não sei por qual razão eu só fui ouvir a segunda demo dos bonitos agora. Por acaso entrei na página do facebook da banda e vi esse registro bonitão por lá. São 3 cantigas, com letritas em português que abordam (em tom melancólico, raivoso e depressivo) questões de existência. Gravação crua, gutural bonito e musicólas que te fazem sentir o precipício perto de seu corpo. Som altamente indicado pra quem odeia as imposições autoritárias religiosas, adora um som sujo e que ama letras inteligentes. Banda bonita, compensa ouvir e conhecer.
Bandcamp da banda: Desistä

Myspace: Desistä (não)

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19.11.12

Destrua O Poder Não As Pessoas II - 25/11 no Old Studio (Goiânia)


Destrua O Poder Não As Pessoas II

Com as bandas:

Ímpeto
Livre?
Disköntrolly Social
Entre Os Dentes
Berro (Caldas Novas-GO)

+ Troca de materiais, zines, informativos e afins.
+ Exibição do documentário "CRASS - Não Há Autoridade A Não Ser Você Mesmo"
+ Oficina de Stencil
+ Rango Vegan

Local: Old Studio (Rua 24 c/ Rua 4, Nº 770, Centro - Goiânia-GO)
Data: 25/11/12
Horário: 14 horas
Valor: 7 reais
Link do evento: https://www.facebook.com/events/381418981933537/

Marmitex S.A - Desgraça Pouca É Bobagem (2012)




Marmitex S.A, oriundos de Paranoá/Brasília-DF, a banda está na ativa desde 2001. Passando por diversas formações e nomes, estabilizou-se com o atual nome somente em 2008, sempre tirando um som calcado no hardcore/punk. Nesse ano a banda soltou o disco "Desgraça Pouca É Bobagem", contendo 7 cantigas, abordando o cotidiano tosco/violento/sem esperança que impera nesses dias de cão. Destaque para a pegada pesada e crua da 4ª faixa "Pedra da Ilusão". Pra quem gosta de um som sem frescuras, agressivo e bem feito, esse registro é uma ótima pedida para esse começo de semana. 
Só pra registrar o repúdio do blog, o fato que ocorreu nesse fim de semana que passou-se, em que o jornalista e ativista gay goiano Lucas Fortuna foi brutalmente morto a facadas em praias pernambucanas e que constavam marcas de espancamento pelo corpo (além de não terem levado nenhum de seus pertences), só reforça uma opinião que tenho, todx homofóbicx não deve ser toleradx nessa sociedade falida. Não é fácil ser gay, como também não é fácil ser mulher, ser negro, ser deficiente... homofóbicx merece o mesmo fim de careca cusão, a morte da pior forma possível. Esse tipo de gente deveria ser extinta..., sei que esse desabafo não vai confortar a família da vítima e nem vai trazer a vida desse guerreiro, mas a cada dia que se passa tenho mais nojo dessa gente, esse mundo aí que mostram não é meu, não é seu...

Myspace: Marmitex S.A (não)

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13.11.12

PUNX NOT PROFITS 5 - 18/11 em Goiânia





Mais um grito de união e cumplicidade anti-capital; mais uma amostra de que as coisas funcionam muito bem a base da solidariedade, mutualismo e cooperação.O mundo real vai seguindo o mesmo fluxo do trabalhar-pra-morrer, mas continuamos insistindo na contramão do senso comum, totalmente alhei@s ao padrão social doutrinado a enxergar cifrões em tudo, inclusive na música. Não é isso, não pra nós. Barulho desafinado, sujo, rápido, urgente, como as nossas vidas, por um lado entregue a uma necessidade que nos demanda 40 horas a menos por semana, mas por outro alimentadas pelo ódio, pelo desejo de m udança convertido em zunidos num cubículo escuro. Desfaça sua intolerância mesquinha, dialogue ao invés de denegrir o desconhecido e se dê a oportunidade de construir um mundo melhor à sua volta. Pra essa quinta edição do Punks Não Lucros, bandas que nunca tocaram em alguma das outras quatro passadas, todas próximas e queridas ao seus modos, e um local novo, acessível e disposto desde que cultivemos a permanência. Lifelifters, Caim, Gerações Perdidas, Coerência e Livre?, Estúdio Ilha, 18/11. Traga seu desejo de mudança e comece a semana lavando a alma, sem deus, sem patrão/oa e sem policial de cu ou de qualquer espécie.

LIVRE?

Gente ativa na renovada cena goianiense e pouco mais de 20 minutos pra deixar seus tímpanos em choque. Grind/crust aos velhos moldes, desafinação de propósito e barulheira aplicada pra chacoalhar seu começo de domingo.


COERÊNCIA

Riscando o estigma de chatice que circunda o hardcore melódico no mundo, o Coerência chega com a velha fórmula debaixo do braço. Prestes a lançar o sucessor da repercutida demo "Viver e Navegar", Katira e seus comparsas mesclam a urgência do "Sobre Determinação e Desespero" à "Faces do Terceiro Mundo", sem gritaria e sem metaleirice chata e demasiada, do jeito que tem que ser.


CAIM (DF/GO)

Jogue no liquidificador toda a patota relevante pós-Tragedy, só que com a malovolência carismática de quem respira o cotidiano tenso do entorno de Goiás, e mais um apaixonado que saiu de casa pra viver o amor. Intensidade, agonia, dedilhados pra te lembrar das grandes da Inglaterra, e a trilha sonora perfeita pra dançar a decadência no escuro


GERAÇÕES PERDIDAS

A nova sensação do hardcore local usou o catálogo da Red Star como bibliografia da graduação e o Grito Suburbano como tese de mestrado. Junte isso aos discursos afiados do professor de História Matheus e a falta de educação das baquetas do Fred, pra se dar conta que em Goiânia o punk também é pra valer. Lançamento da demo, que já tava virando mito, mas saiu!


LIFELIFTERS (SP)

O Catharsis brasileiro chega a Goiânia aplicando aquela fusão esquizofrênica do metal com o hardcore politizado que caracterizou a Crimethinc na segunda metade dos anos 90. Três vocais e 30 dedos na cara d@ homofóbic@/machista/sexista/burocrata que existe dentro de você. Pogo selvagem, socos de agonia na parede e hora de exorcizar suas pragas do mundo.


RESUMO

PUNX, NOT PROFITS 5

Data: Domingo, 18/11/12

Local: Estúdio Ilha (Rua 123, Nº 121, Setor Sul. Atrás do Colégio Maria Auxiliadora).

Horário: A partir das 16 horas

Investimento: $7

Bandas

LIFELIFTERS (SP)
CAIM (DF)
GERAÇÕES PERDIDAS 
COERÊNCIA
LIVRE?


Texto: Júlio

Show em solidariedade aos Guaranis Kaiowás - 15/11 em Goiânia



Show em solidariedade aos Guaranis Kaiowás

Com as bandas:

Entre Os Dentes
Vítimas da Injustiça
El Touch 77
Tarja Preta

Data: 15/11 (Quinta - Feriado)
Horário: 18:00 horas
Local: Old Studio (Rua 24, 770, centro, Goiânia-GO)
Valor: 8 reais

Proibida a entrada de menores de 18 anos

12.11.12

Morra Tentando - Freestyle Is Our Gift - EP (2012)




Essa semana que se passou foi boa da porra, fluzão foi tetra e meu verdão esmeraldino voltou para o lugar de onde jamais deveria ter saído. Outro fato bom foi que tive contato com sons que são de meu agrado. E a banda da vez é o Morra Tentando, lá da linda Maceió e que conheci através da net há algum um tempim, e através do twitter dos cabras pude sacar o novo e excelente trampo dos bonitos. Bom, diferente do primeiro registro da banda (mais pingado pro melódico), esse atual,  intitulado "Freestyle Is Our Gift" e que foi lançado como um EP contendo 5 cantigas, não fica preso somente ao hardcore/skate punk, pois percebe-se influências de um sambinha-makossa-maroto, um surf music bem encaixado e um reggae-jamaika-style-in-a-babylon. As colagens também estão bem cabarezeiras e sei que xs toscxs de plantão vão soltar risadas amareladas ao ouvir  essas paradas. O que posso dizer é que o registro tá uma paulada na mulêra e que os lindos acertaram em cheio nas misturas. Se você é pai/mãe e situa-se em interiorzinho-currutela e já passou por aquela situação de frequentar pizzaria e presenciar o garçom servir refrigerante para seu filho/sua filha em copo de extrato de tomate (pois a criança pode quebrar o objeto e o mesmo não teria custo para o estabelecimento) e tu ficar indignadx ao ponto de registrar queixa na única delegacia da cidade, bom..., eu digo que tu irá se agraciar com esse registro, que deixa aquela sensação de não aceitar as  coisas caladx. Boa audição e beyjos.



Myspace: Morra Tentando

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10.11.12

POLUIÇÃO SONORA - 10/11 em Goiânia




POLUIÇÃO SONORA

Com as bandas:

Disköntrolly Social
Gerações Perdidas
Sociofobia
Higiene Mental

Data: 10/11 (Sábado)
Horário: 19:00
Local: Old Studio - Rua 24, 770, centro, Goiânia-GO
Valor 8 reais

* Proibida a entrada de menores de 18 anos *


9.11.12

Derrotista - EP (2012)





O pessimista tendo que escolher entre dois males, acaba optando por  ambos, já mencionara Oscar Wilde. Numa ótica sonora nada descrente, a banda Derrotista, oriunda da linda e querida Campina Grande-PB propaga o bonito e melodioso punk rock de suas cantigas em seu novo e primeiro registro. O EP contém 7 ótimas músicas que abordam temas que falam da libertação animal, questões de gênero e conflitos existenciais. Ficou meio difícil de destacar músicas desse registro, pois gostei de todas, mas a 2ª faixa (Você Tem Coragem), a 5ª (Depois da Morte, O Fim) e a 7ª (Sépia) eu consegui dar um "repeat" mais vezes em meu 3 em 1 da CCE adquirido na conceituada e segura feira da marreta. Pra você que gosta de The Renegades Of Punk, Futuro, Mahatma Gangue, Velho, os Estudantes, Gulag e toda essa nova leva de bandas de punk rock, essa excelente banda nordestina é uma ótima pedida pra tu que já não suporta essa vida meia-boca de trabalhar-estudar-enfrentar ônibus lotados. Só mais uma fita aqui, a qualidade gráfica desse trampo tá muito foda e a propagação da culinária vegana como uma opção saudável, saborosa e ética  que a banda passa adiante vale muito ressaltar nesse post. Acho que essa foi a melhor banda de 2012 que eu escutei, entón, obrigado de coração ao trio ternura composto por Ri, Abu e Bené, por essas belíssimas composições. Beyjos.


Página da banda no feice-buck: Derrotista
Bandcamp da banda: Derrotista


Myspace: Derrotista (não)

8.11.12

Retaliador - Sobrevivência - EP (2012)




Retaliador é uma banda de Thrash Metal surgida em meados de 2004 na cidade de Franco da Rocha-SP. A necessidade de formar uma banda nesse naipe de som, escasso na época naquela região, fez a caminhada da banda ser difícil e com o passar dos anos, ganhar certa notoriedade dentro da cena. A demo "Ultra Violência" (segundo registro da banda), deu uma boa visibilidade para o grupo, sendo lançada na América Latina pelo selo chileno Atomik Nuclear. 
Nesse ano de 2012 a banda formada por Diogo "Hell Insane (baixo/vocal), Eduardo "Terror Insane" (bateria) e Nilton "Sarcastic Insane" (guitarra) soltou o EP "Sobrevivência", contendo 4 cantigas (1 versão para "Nocturnal Fear" do Celtic Frost) que irão deixar xs fãs desse estilo bem satisfeitxs com a audição. Gravação excelente, qualidade gráfica de deixar banditas do mainstream de boca aberta, pegada thrash old school aos moldes de Dorsal Atlântica e aquela sensação de que você está na periferia da década de 80, com aquele cabelo volumoso seboso, jaco com patch gigante do Sodom nas costas, cinto de bala de plástico e todo aquele visual agressivo-chocante-thrasher característico da época fica impregnado em sua alma sebosa quando seu suave ouvidor se depara com esse lyndo registro. Banda foda, ouça em volume alto, recomende para sua boa amizade e beba muita cana barata com esse som de trilha. Lascado de bom.
Página da banda no feice: Retaliador


Myspace: Retaliador 

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6.11.12

Tio Xico HC - Raiva (2011)




Aê negadis, depois do calor da peste que assolou (e ainda castiga) as nucas dxs goianienses, as chuvéx de novembro chegaram pra aliviar a sebosidade dos corpos dessa gente tosca. O bom da chuva e do tempo frio é que tomo menos banho, mascaro a catinga com perfumes baratos adquiridos em camelôs do bairro de Campinas e lavo bem menos enxovais de vestes podres. Bom, voltando a postar bandita legal aqui no blog, recebi recentemente o material de um conjunto oriundo do interior de Pernambuco. A cidade é Caruaru e a banda chama-se Tio Xico HC. os cabras estão na ativa desde 2005, tirando e alastrando o hardcore cru e papo reto. Formam esse cabaré de cego: David Garcia (guitarra/voz), Diego Silva (bateria/voz) e Adriano José (baixo/voz). Em 2011 soltaram o full álbum intitulado "Raiva" que contém 15 cantigas, puro hardcore de protesto, com influências que vão do punk ao maracatu. Destaque para as bailantes cantigas "Jesus Não é 'Real'", "Raiva" e Liberdade de Expressão". Se tu gosta da fase antiga do Devotos do Ódio, de Delinquentes, Sheik Tosado, Mukeka di Rato no começo das atividades e demais belezuras, esse lyndo conjunto é uma ótima pedida para os seus fins de tarde derrotista-após-o-trampo-faculdade-escola-vagabundagem. Boa banda oriunda da melhor região do Brasil!
Página da banda no feice-buck: Tio Xico HC


Myspace: Tio Xico HC

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30.10.12

THRASHCORE FAST VII - EDIÇÃO DE FINADOS - 02/11 (Goiânia)



A comemoração anual do seu desajuste social chegou! Se você gasta metade do salário (mínimo) em discos e ingressos pra gigs no subsolo do lugar mais sujo da cidade, se sua família já nem te chama pros aniversários porque o argumento de “ter rock no dia” sempre rola, não se incomode: você não tá sozinh@! Tem mais gente ao avesso do mundo do que você pode imaginar, e a sétima edição (puts, sétima edição!) do Thrashcore Fast é o melhor exemplo disso! Largue suas frustrações em casa, descole um saco de farinha (a que faz bem) pra tacar na cabeça d@s outr@s, leve boias, pranchinhas, e todo o tipo de macaquice que quiser aprontar. É dia dos mortos, mas também pode ser dia de festa! Sua vida real já te priva de coisa demais, então venha curtir um desabafo com a gente, respeitando todo mundo (afinal, diversão é pra tod@s e circle pit nunca foi lugar pra exalar testosterona), e dançando com a mesma euforia que o seu chefe usa pra cobrar melhores rendimentos no trabalho. Nessa quase década de desgraceira, já rodamos tudo quanto é lugar nessa Goiânia e não encontramos melhor acolhimento que o quintal do Afonso, o famigerado Capim Pub, amado por muit@s e odiado por outr@s tant@s. O espaço é curto, o palco é pequeno, e esse negócio de público e banda vira uma coisa só, do jeito que a gente gosta. Vá preparad@! Gente encima de gente, calor infernal, intensidade, e uma explosão de carisma e amizade pra te provar que o melhor lugar do mundo é ali!

Seguindo a velha cartilha de oscilar entre as nuances mais paradoxas do metal e do hardcore, 3 bandas locais, uma dos entornos do Goiás, e mais um oferecimento holandês encabeçado pelo Richard UPS. Para custear os encargos com aluguel de som e passagens da gringaiada, cobraremos o investimento de 10 pilas, o que talvez não seja o mais justo dos preços, mas é o mínimo possível pra gente não se fuder de vez no fim das contas. Se fosse pra ganhar grana a gente tava atrás da Rouanet ou da Lei Goyazes e mesmo assim o ingresso seria uns 30 reais (não é assim que fazem por aí?), o que tá longe de ser o caso.


BANDAS


ENTRE OS DENTES

A melhor banda de Goiânia que você nunca viu soa como um misto juvenil e desesperado de Corrosion of Conformity fase Animosity com a patota nacional pós 2000 do “toque rápido ou morra”. Straight Edges sem deus no coração, junkies loucos aficcionados por skate, e muita raiva de espírito abrindo os portais do inferno nesse princípio de noite dos mortos!

http://www.myspace.com/entreosdente

DEAD ZONE (Águas Lindas)

Gordinho da barragem e Darkhell não se entregaram aos caprichos do tempo e continuam sapecando os melhores moshs que as seminais da Bay Area criaram com propriedade lá nos anos 80. Curte um Vio-lence? Quer entender a magia que fez do eixo do pequi a melhor cena do Thrash no Brasil? Aperta a calça, sapeca a bandana na testa e aprenda a levar a sério o termo “pião” pro rock!

http://www.youtube.com/watch?v=ZPzHXBRmcDs

RESSONÂNCIA MÓRFICA

Responsáveis por uma tour histórica pelo Brasil em 2009, a Ressonância Mórfica toma as rédeas da desgraceira propriamente dita da noite. Death Metal? Doom? Grind? Tudo junto e misturado, mais uma dose extra de Napalm Death e Sepultura rolê Chaos AD, cachaça Sapupara, gente boísse e a literatura refinada do Marcão. Nova formação, novas músicas, e a mesma inquietude infernal e sonora de sempre!

http://www.myspace.com/ressonanciamorfica

TIREI ZERO

O Pedrinho passou na OAB e o Bruno tá curtindo a Engenharia Civil, mas isso não quer dizer nada. Se o desajuste social ainda toma conta dessas almas podres, o Tirei Zero é mais uma prova viva de como adultecer com espírito de dois ou dez no golzinho de tijolo. Beije seu disco predileto do 7 Seconds, queime sua beca de formatura e se jogue no pogo infanto-juvenil d@s reprovad@s!

http://www.myspace.com/tireizero

THE SHINING (Holanda)

Avalanche thrashcore vinda do mesmo beco que nos brindou com o Waking The Dead ano passado. Palhetadas a mil e circle pit te induzindo aos 120 km por hora, reunindo tudo o que de bom foi feito no estilo em uma banda só. Esqueça o Municipal Waste, resgate sua flanela amassada no fundo do armário e se jogue no bonde do iluminado!

http://theshiningthrash.bandcamp.com/

RESUMO

THRASHCORE FAST 7 - EDIÇÃO DE FINADOS

DATA: 02/11/12

LOCAL: Capim Pub (Rua 05, Esq. com Avenida Independência, Nº 65. Setor Aeroporto - Goiânia-GO)

INVESTIMENTO: $10

HORÁRIO: A Partir das 16 horas

BANDAS

THE SHINING (Holanda)

DEAD ZONE (Águas Lindas)

TIREI ZERO

RESSONÂNCIA MÓRFICA

ENTRE OS DENTES



SEJA A CENA!
Texto: Júlio
(FLYER LINDO: DIOGO RUSTOFF =
http://www.flickr.com/photos/rustoff/)

Coerência - Tyler (Single 2012)

Nova single da banda goianiense de hardcore melódico Coerência. A cantiga "Tyler" foi gravada no estúdio Fantom e produzida por Geovani Maia e Coerência. Masterizada por Geovani Maia.


24.10.12

Despejo Fast - Parte 2 - 28/10 - Goiânia


Despejo Fast - Parte 2

Com as bandas:

Descarga Negativa
Corja
Livre?
El Touche 77
Pertinácia
Autoras do Fato

Data: 28/10/12
Horário: 14 horas
Local: Av. T-2 c/ Av. T-8, ao lado da Elmo Engenharia e Vidraçaria Bueno, Setor Bueno, Goiânia-GO
Valor: 2 reais

23.10.12

Natural Chaos - Bootleg (2012)





NATURAL CHAOS surgiu no final do ano de 2007 - Novembro - após o fim da antiga banda Black Church. Com os problemas internos que estavam ocorrendo com bastante frequência na Black Church, brigas entre os membros, cobranças exageradas, o fim foi inevitável. 

Paulo Peixoto - guitarrista na época - decidiu abandonar a banda e formar outra na intenção de tocar um som mais pesado e rápido, influenciado por estilos como Thrash metal, Death metal, hardcore, punk crust, e para isso, conversou com o também ex-membro da Black Church, Sidney "Sapão" (ex-Brutal, ex-Asfixia), baixista e vocalista, que imediatamente aceitou formar a banda. Nessa nova empreitada, Sidney e Paulo já haviam composto duas novas músicas ( Inherited pain e Dictator's head) e decidiram reaproveitar duas músicas (No rest for the humanity e Port of desolation) de sua antiga banda que haviam sido compostas por "Sapão". Já com os trabalhos bem avançados no que diz respeito às composições, eles ainda precisavam completar a banda, reunir pessoas apoiassem a mesma proposta de som. 

Baterista? Resolvem então entrar em contato com o também ex-membro da BLACK CHURCH, Márcio "Lord Grave" Guterrez (Crucifixion BR), que prontamente aceitou participar da banda. Com a banda parcialmente formada, os três integrantes decidem partir para os ensaios, porém ainda faltava algo, uma guitarra para dar equilíbrio ao grupo. Anderson "GT" Alves (ex-Morto, Ex-Anphisbenah, Ex-Azmodahm, ex-Brutal) junta-se à banda como guitarrista solo, sua harmonização com os demais integrantes do grupo foi extremamente rápida, o que resultou em sua primeira contribuição para o grupo, ajudando a compor a música "CHAOS". 

Com a banda completa, era hora de correr em busca oportunidades para se apresentar em festivais, e dessa maneira ocorreram os três primeiros shows da banda. Após nove meses de ensaios intensos, começam a surgir os primeiros problemas. Márcio "Lord Grave", devido a seus problemas pessoais começa a tornar-se ausente nos ensaios, inclusive faltando a gravação do que seria a primeira demo da NATURAL CHAOS - nessa ocasião a bateria fora gravada por Paulo, que não aprovou o resultado e final e culminou no arquivamento da música "PORT OF DESOLATION" - fato que acabou ocasionando, depois de muitas conversas, sua saída da banda.

Com a saída de Márcio, passam-se três meses de inatividade da banda, até que Anderson "GT" sugeriu que fosse feito um teste com Maicon Ribeiro - na época "GT" e Maicon tocavam juntos na banda AZMODAHM - pois o baterista tinha uma pegada singular e sua entrada na banda poderia ser muito positiva. De fato, as expectativas se concretizaram, Maicon foi convidado a fazer parte da banda, rápidamente os sons foram passados ao novo integrante e os shows foram retomados. Para estréia da nova formação a NATURAL CHAOS em parceria com um grande amigo, Carlos - vocalista/guitarrista da INDULGENCE - organizam um festival de bandas da cena portoalegrense, 2° ARMAGEDOM METAL FEST. O evento foi um sucesso, com a realização de ótimos shows e uma performance  satisfatória da nova formação da NATURAL CHAOS. Ainda com essa nova formação e a empolgação em alta dos integrantes, a banda faz seu primeiro show fora do Rio Grande do Sul, na cidade de Criciúma/SC, um show memorável para a banda. Depois de muitos shows realizado com essa formação, Maicon, começa a passar por problemas pessoais relacionados ao seu serviço, que começa a impossibilitar sua participação mais ativa no grupo o que consequentemente faz com que ele se afaste da banda e até da música. Diante de tal situação, a banda optou por procurar outro baterista. Entraria então, temporariamente, em 2009, Paulo "Lepercus" (ex-Baal Hamon, ex-Savannah, ex- Blackned), que apesar de ser ótimo baterista e um grande camarada, não conseguiu adaptar-se aos horários de ensaio da banda, pois seus estudos e serviço não lhe possibilitavam essa flexibilização de horários. Sua estadia na banda durou pouco mais de um mês e os outros integrantes decidiram por liberá-lo para que pudesse seguir em frente.

Dessa vez - sem baterista oficial - a banda resolve dar continuidade as atividades. Uma noite, após um ensaio, em uma lancheria próxima ao estúdio onde costumavam ensaiar, "GT" sugere que Paulo Peixoto - até então guitarrista - assuma a bateria e convida Carlos Oliveira (INDULGENCE) para assumir a guitarra no lugar de Paulo. Todos imediatamente aceitam a proposta. Com as situação definida, a banda parte para os ensaios, afim de que Paulo se adapte melhor a nova função e Carlos se familiarize com as composições da banda. A evolução é inevitável, as composições ficam mais maduras, precisas, e o peso sofre um aumento considerável. 

Em 2010 a banda resolve abandonar os estúdios existentes na cidade de Porto Alegre e decide montar seu próprio estúdio. O objetivo principal era poder produzir seu primeiro disco oficial sem ter que sofrer o abuso inescrupuloso dos produtores e donos de estúdio que intencionalmente acabam por deixar todas as bandas com uma sonoridade semelhante. É nesse momento que a banda adota a filosofia Do It Yourself (faça você mesmo) e quebrando barreiras quanto aos estilos musicais, tocando com bandas de qualquer estilo dentro do som pesado, organizando seus próprios shows. Desde então a banda segue trabalhando em seu estúdio, ensaiando para shows e trabalhando em novas músicas.



Download:

20.10.12

Despejo Fast Part 1 - 21/10 - Goiânia


DESPEJO FAST PART 1

Batalha de bandas

Higiene Mental (Abrindo a batalha)
Diskontrolly Social X Vítimas da Injustiça
Entre Os Dentes X WxCxM
Piratas do Cachimbo X Tarja Preta

Data: 21/10/12  (Domingo)
Local: Av. T-8 com Av. T-2, Qd 55 Lt 07, ao lado da Elmo Engenharia - Setor Bueno (Goiânia-GO)
Valor: GRÁTIS
Início: 14:00 horas
Link do evento: https://www.facebook.com/events/477521168945868/?fref=ts

Atenção: Se chover não vai rolar, e aí vai ficar pro outro domingo...

18.10.12

HC-137 - 25 anos do acidente radioativo em Goiânia - 20/10


Show de 25 anos do acidente radioativo ocorrido em Goiânia com:

HC-137 

Data: 20/10/12
Horário: 21 horas
Local: Diablo Pub (Goiânia)
Valor: 10 reais

Participação de membros e ex-membros de uma das mais importantes bandas punk/hardcore da cidade num show épico!

17.10.12

Baixo Calão - Atmo Mediokra (2012)





Vou aqui relatar as impressões que tive do novo disco da banda paraense Baixo Calão. Recebi esse disco em casa já tem alguns meses, foi bem quando lançou e tal. Enviado (se eu não me engano) pelo Leandro Pörckö, lembro que passei a semana ouvindo o disco, faixa por faixa, sacando as letras, os timbres, a qualidade do encarte e tudo mais. Tipo, eu sempre curti de ler os agradecimentos, a ficha técnica, saber quem fez a arte de capa e tal. Pois bem, voltando um pouco, conheci a banda através da net e por conta do blog, lembro que pirei no som e fui atrás da discografia da banda, até o ponto em que rolou um contato com o Leandro, o mesmo perguntou se poderia colocar o blog na dedicatória do disco, eu aceitei, claro. Então negadis, "Atmo Mediokra" foi lançado esse ano com a ajuda de alguns selos/produtoras (Rola Bosta Discos/Distro Rock Records/HC 80 Produções Underground), pra quem tem o disco físico em mãos, sabe da qualidade absurda que está esse registro.
Bom, a bolachinha é toda no melhor estilo grindcore de ser, letras em português com um estilo meio niilista de falar dos podres da sociedade e desse sistema-carniça. A pegada não fica só no grind, o death e o hardcore cru estão presente nas cantigas. O gutural é outro destaque, hora mais agudo, hora mais grave. São 17 musicólas, destaque para "Atmo Mediokra" (3ª faixa e que recebe o nome do disco), "Cordão Umbilical Farpado (7ª do disco, a letra é um nó no pescoço daqueles que vivem reféns do sistema.) e "Pra Que Sapiens?" (17ª faixa, colagem com um discurso-dedo-na-ferida-do-ser-humano, melhor cantiga do disco pra mim!). Claro que o disco está todo lindo, para amantes de Nasum, Napalm, Hutt, D.E.R..., esses nortistas merecem um bom destaque na cena nacional. Aliás, recentemente os cabras bailaram no renomado e podre Obscene Extreme Festival, justo pela caminhada e pelo trampo que os bonitos fazem. 
Se você tiver afim de conhecer mais da banda, adquirir materiais e tal..., segue o link da página da banda no feice-buck ou se preferir entre em contato nos seguintes endereços: leandropadilha-2005@hotmail.com / william_speixoto@hotmail.com. Esse disco é paulada na mulêra de pessoa desavisada e mel de arapuá para amantes do estilo.


Myspace: Baixo Calão

Download:

Silêncio & Caos - 19/10 - Old Studio


ND Produções & TBonTB Records Apresentam:

SILÊNCIO & CAOS

Pröjjetö Macabrö (PE)
Ímpeto
Vítimas da Injustiça
Tarja Preta
Benzinol Possesso

Data: 19/10/12 (Sexta-feira)
Horário: 20 horas
Valor: 8 reais
Local: Old Studio (Rua 24 c/ rua 4, centro, Goiânia-GO)

Proibido a entrada de menores de 18 anos!

16.10.12

Entrevista (ou quase isso) com Júlio (Tirei Zero, WxCxM, PxPxC, Ímpeto)




E aí negadis? Muito tempo sem entrevista legal, fiquei matutando em botecos sujos da periferia de Goiânia em quem eu convidaria para um lero sem pretensão de status (ou algo que o valha.). Primeiro resolvi convidar alguém da cena local que produz shows, toca em bandas e possui outros projetos adjacentes. Peneirando em minha mente - do mesmo naipe quando se coa caco de vidro moído em meia calça pra fazer cerol - cheguei na figura elementar de Júlio César. O cabra, apesar de novo, já é velho de cena e tenho certeza que você já ouviu algum som em que o jovial participa, já presenciou algum espetáculo que o bonito organizou ou até mesmo leu algum escrito desse lindo cabarezeiro. Portanto, fique aí com esse lero e até mais ver.


1 - Primeiramente relate o início de tudo. Conte aí, cabra, como foi seu primeiro contato com esse mundo torto do hardcore/punk? Quais foram suas referências iniciais?


Muito obrigado pelo convite, Genor. Não me lembro de ter respondido uma entrevista desvinculada das bandas que toco, com um foco mais pessoal mesmo. A baixa auto-estima de costume vai pras alturas com esse tipo de coisa, hehe. Pô, não tenho uma lembrança fresca e específica de quando foi o primeiro contato com o punk. Acho que me encontrei com essa coisa toda lá por 2001 ou 2002, pelo meu irmão mais velho e por um cara que ainda mora aqui no Goiânia 2. Sempre rolavam umas festinhas lá na casa dele, a meninada classe média-alta do grunge de Goiânia aparecia e eu só ficava olhando de longe, meio deslocado, mas de alguma forma vislumbrado com o contexto de subversão que era criado, mesmo sem me dar conta na época. Paralelo a isso eu já tava descrençado de continuar no futsal, tinha começado a andar de skate, e a disposição pro rock foi acentuando até que em 2003, fãzinho de Nirvana, Raimundos, Ramones e recém-apresentado ao Mukeka Di Rato, fui ao show do Garotos Podres no Bananada e o resto não foge muito do que é hoje. Nesse dia comprei o Gaiola e minha vida nunca mais foi a mesma. Não que haja uma relação intrínseca de punk rock com ser largado, mas deixei de ser nerd na escola, tirei minhas primeiras notas vermelhas, só queria saber de comprar disco e riscar nome de banda nas carteiras. Começamos com o Wc Masculino mais ou menos nessa época, e foi aí que passei a ter uns contatos e referências mais interessantes. A partir de 2004 eu comecei a estudar no Centro, e vira e mexe matava aula pra ir ouvir desgraceira com o Márcio Mob Ape, dono da finada loja Marc Marc. Comprei muito disco e conheci muita coisa legal com esse cara. Mais ou menos nessa época, fiquei próximo do pessoal do Ímpeto e ali formou-se a minha escolinha pro hardcore. Toda a aproximação com o Straight Edge (na época) e com o vegetarianismo veio pela pilha de zines que o Bacural me emprestou, e minha nerdice com as bandas elevou a um nível mil pelo Didi, que me passava tipo uns 20 discos a cada vez que a gente se encontrava. Com 15 anos eu tava com uma fitinha com Heresy e Ripcord gravada, ouvindo e pulando na cama. Foi tudo muito rápido, tá ligado? Outro ponto interessante foi a conexão-pequi travada (a princípio mentalmente, mas foi) com Brasília a partir do dia que vi o Terror Revolucionário pela primeira vez, no Goiânia Noise de 2003, se não me falha a memória.  Elxs já eram de casa, mas tudo foi muito novo pra mim. Disseminou uma semente que sobrevive até hoje aqui na minha cabeça. 


2 - Você é o multi-homem da cena aqui da cidade. Da produção de zines à baterista de inúmeras bandas, tu também nos proporciona belíssimos eventos e um intercâmbio muito legal com bandas de outros estados. Relate um pouco quais são as motivações pra tocar cada projeto sem desanimar nessa árdua caminhada?


Acho que é por gostar mesmo, né. Involuntariamente eu convencionei minha vida ao faça-você-mesmx e sempre valorizei a precariedade e a intenção muito além da perspectiva técnico-aprimorada e muitas vezes chata que se instaurou no nosso meio, principalmente em Goiânia. Não que não seja importante, mas esse conforto e essa exigência muita vezes estacionam num modo conformista e estagnado. Acho isso uma merda das grandes. Não quero fugir muito da pergunta, então o que me motiva é a disposição em ver as coisas acontecendo, seja lá como for. Se só temos o Old e o Capim Pub, ótimo. Pra muita gente pode não parecer, mas isso é muito pra mim. Se fazer zine xerocado me agrada, eu vou fazer. Amo o envolvimento, o fazer parte do processo ao invés de pegar o produto pronto, o “moldar de um jeito que me agrada”, mas que ao mesmo tempo pluraliza os benefícios. Bom pras bandas, bom pra quem faz, bom pro cara do som, bom pro dono do local, bom pro público... Mesmo que nunca agrade todo mundo (isso é impossível), no fim das contas a caminhada nem fica tão árdua assim, sabe. Fica é muito mais intensa e prazerosa, porque mesmo que dê errado vai dar certo. Você sempre faz novas amizades, interage de alguma forma, adquire e passa informação, aprende, ensina, ri, chora, sempre em conjunto... Se existe coisa melhor no mundo que todo esse escambo, meu amigo, eu ainda não descobri e acho que nem vou.  


3 - Ainda na esfera dos eventos, você juntamente com o Pedrim (vocalista do Tirei Zero) são os responsáveis pelo Thrash Core Fast, considerado o evento mais importante da cena já há alguns anos. Como que foi a ideia de fazer, o surgimento do belo nome, os perrengues, alegrias e se possível poderia adiantar o que vai rolar nesse ano?


A “história” (me sinto um velho falando assim) do Thrash Core Fast tem duas partes principais: a idealização, pré-Pedrinho, e a prática, depois que ele apareceu. Lá por 2004, 2005, quando eu e o Alexandre (guitarra do WC) começamos a ter mais contato com a base dos shows (fosse tocando, fosse acompanhando a correria de quem fazia), pilhamos de fazer um também. Na verdade, o que catalisou essa vontade foi o fato do WC ter tocado no segundo Caga Sangue Thrash, em Brasília. Ficamos impressionados com a magia, a insanidade, o monte de gente se aglomerando num cubículo, e voltamos pra casa com vontade de fazer algo nos mesmos moldes. Chegamos a listar umas bandas, o Alexandre chegou a fazer um flyer (o nome também é coisa dele, não faço ideia do porque nem como surgiu), mas nossa enrolação infanto-juvenil não permitiu que o planejamento saísse do papel. Até que em 2006 o Pedrinho apareceu, ficamos muito amigos e nos juntamos pra trazer pra Goiânia umas bandas que a gente queria ver, mas que ninguém trazia. Foi muito louco isso. Terceiro ano do ensino médio, pressão de família, e nós andando a pé do Vaca Brava até a Avenida Paranaíba colando cartaz do show, com balde de cola na mão e debaixo de chuva. Foram bons dias de planejamento na casa do nosso camarada Marco Túlio, pelas entranhas do Bairro Feliz. O colégio maltratando as cabeças com o aulismo pré-vestibular, e nosso mundo se reduzindo a ouvir rock, jogar vídeo game e comer a soja deliciosa da dona Clarissa. Pedrinho tinha uma grana guardada, contactei uns amigos de Brasília e daqui de Goiânia, o Totonho deu uma força com o transporte das bandas de fora, e foi aquela festa que quem viu sabe. De lá pra cá muita coisa aconteceu, mas pouca coisa mudou. A perspectiva do Thrash Core é a mesma, a coligação com as amizades daqui e de fora fortaleceu bastante, e por incrível que pareça, já vamos pra sétima edição em 2012. Nesse mundo incerto do rock, isso é um número até bom, né? Tem um monte de gente daqui que vira e mexe me pergunta sobre o show, que diz ter entrado pro rock pela espontaneidade e liberdade que alguma das edições trouxe pra sua vida e etc. Outra coisa muito legal é a união que rola pelo Thrashcore. Nas últimas edições muita gente se dispôs a ajudar com todo o tipo de correria que você imaginar. Apareceu o Bruno, tem meu irmão mais novo, você e a Nati, o Bacural, as meninas que sempre ajudam com o bar e portaria... Bicho, minha missão no mundo tá cumprida. Pra esse ano, vai vir o The Shining, da Holanda (dá pra ouvir uns sons por aqui: http://www.myspace.com/theshiningtrash), em mais uma parceria com o holandês doido naturalizado brasileiro Richard UPS, e o camarada Juberto, da Rock Mutante. Será no dia 02 de Novembro, e logo menos tudo vai ser divulgado pro mundo. 


4 - Eu te considero como o Raimundo Soldado da bateria. Classe, elegância para conduzir as baquetas e rapidez precisa nas batidas. Quais são suas influências, aqueles raparigos que você ouviu e que definiu a sua chegada até esse nobre instrumento?


Rapaz, Raimundo Soldado da bateria! Melhor adjetivo que eu já recebi na vida, obrigado! Sou carroceirão, cara. Toco mais na raça do qualquer outra coisa, talvez por moldar meu jeito de tocar só pelo que vejo dos outros tocando, além de não ter batera pra treinar. Tem muita gente que me inspirou/inspira, principalmente porque eu ouço música o tempo todo, de todo tipo. Um apanhado dos que me lembro, por ordem cronológica:

2003-2006: Renzo (DFC), Pete Sandoval (só pelo Terrorizer; gosto do Morbid Angel, mas dali eu não absorvi nada, infelizmente), Felix Griffin (DRI), Lúcio Webert (Didi), e o Bilmor (Mob Ape).

2006-2010: Barata (DER, Sick Terror, Tri Lambda e Test; mudei completamente meu jeito torto de tocar depois que vi o Barata pela primeira vez, e cada vez que vejo é uma experiência diferente, sempre incrível!), Nino Tenório (Discarga e MACE; o que me fez levar esse negócio de “toque rápido ou morra” a sério), Boka (RDP, I Shot Cyrus, mestre das viradas), David “Batera” (Violator; é carroceiro, mas me ensinou que bater forte na caixa é o que vale), e o Marcão (Ação Direta e hoje também do Dead Fish).

2011-hoje: Maurício Takara (o gênio por trás do Hurtmold, SP Underground...), Richard Ribeiro (também do SP Underground, Porto, tocou no Diagonal e no Debate), Brendan Canty (Fugazi), George Hurley (Minutemen, fIREHOSE) e o Serginho (Leptospirose).


5 - Sei que você gosta bastante de música instrumental. Como que foi seu primeiro contato com esse mundo frito das cantigas improvisadas? E o que tem ouvido nessa estética de som?


Do que eu me lembro, meu primeiro contato com música desse porte foi no Goiânia Noise de 2003, durante o show do Objeto Amarelo na quadra do Jóquei. Não é uma banda instrumental propriamente dita, mas as experimentações e a dinâmica audiovisual me incomodaram bastante. Meio que brotaram a semente do “você não precisa de voz pra dizer algo”, tá ligado? A chama adormeceu, e só voltou com gás quando saiu o primeiro disco do Eu Serei a Hiena, que explorava um lance mais post rock, mais “climatizado”, sossegado e pouco selvagem. Fui procurar pelas influências, cheguei no Tortoise e no Hurtmold e fui só subindo a ladeira. Essa conversa de música instrumental abrange muita coisa, que desmistifica a ideia de, sei lá, ser nada mais que “som de velho”, música estática e morna que “pré-conceituosamente” criam por aí. Tem muita coisa enérgica e intensa, cara. Tô pirando muito em sons eletrônicos também, o que, partindo do pré-suposto que música instrumental é música sem vocal, também se encaixa no gênero. O que mais gostei de conhecer de uns tempos pra cá foram o Mulatu of Etiopia, do Mulatu Astatke, o hipnotizante The Psychic Nature of Being, do Lichens, o disco homônimo do Elma (metal tortuoso e matemático doidasso de São Paulo), os sons novos do Hurtmold, e o ep do Mel Azul que saiu ano passado. 


6 - Aqui na cidade faltam espaços para shows, tem as famosas rés por conta de falta público em eventos, enfim..., uma pá de situação que desanima quem está envolvido com as produções contraculturais da cidade e vejo que você está sempre fazendo, produzindo algo interessante. O desânimo rola também contigo? O que motiva seguir em frente?

Ah bicho, esse é um tipo de problema que sempre existiu e infelizmente sempre vai existir. Não é um ponto de vista negativo; só acho que a perfeição pros nossos padrões de show só virá quando tivermos nosso próprio lugar, o que ainda é uma realidade distante. Fico desmotivado com a falta de compreensão de certos donos de espaço, pela pouca flexibilidade em fazer algo interessante pra todos os lados, mas não acho que seja argumento pra abrir mão do principal que é fazer. Isso não pode ser empecilho, a não ser que chegue a um extremo que te impossibilite, mas, mesmo assim, sempre vai haver uma luz no fim do túnel. É só querer enxergar. O meu ranço maior com as “produções” veio ano passado, mas num momento de mais desequilíbrio e falta de perspectiva pessoal que qualquer outra coisa. Continuo porque gosto, porque me sinto vivo e completo fazendo parte disso. Não sei por quanto tempo, mas hoje é o que de mais importante tenho comigo. 

7 - Cite um show que você queria ver/fazer aqui na cidade?


Do passado, do presente e do futuro, os que mais queria ver/me envolver seriam o Hurtmold, São Paulo Underground, Os Estudantes, The Renegades Of Punk, I Shot Cyrus (esse vai só no sonho mesmo, mas não tem problema), fazer um show do Test num fim de tarde de meio de semana em frente à Hocus Pocus, e mais um possível monte de coisa que eu não me lembro agora.


8 - E de som, o que você indica para uma boa (ou má) audição?


Seriam 10, mas aí vão 11 das coisas mais legais de ultimamente:

-Daylight Robbery: alternância de vocais homem/mulher sensacional; mais X, impossível. http://daylightrobbery.bandcamp.com/

-Boston Strangler: o hype do hardcore mundial tem razão; a fúria das grandes tá toda aqui. http://elementaryrevolt.blogspot.com/2012/07/the-boston-strangler-primitive-lp-2012.html

-Creem: hardcore carrancudo com voz de Ray Cappo, só que sem os grunhidos; http://derangedrecords.bandcamp.com/album/creem

-Elma: metal dissonante e matemático, extremamente torto, pesado e sem voz; http://elma.bandcamp.com/

-Assembleia Rítmica de Pinheiros: Guilherme Granado + Maurício Takara + uns gente boa de São Paulo. Experimentalismo e improvisação em mais uma empreitada dos mestres do barulho; http://www.hominiscanidae.org/2012/07/assembleia-ritmica-de-pinheiros-ao-vivo.html

-Badbadnotgood: clima introspectivo e melancólico brincando de jazz, feito por criancinhas de 20 e poucos anos;  http://badbadnotgood.bandcamp.com/

-Ameaça Cigana/Homem Elefante split: BGK + Poison Idea + Richmond hardcore de um lado; agonia, paranoia, cafeína e Loose Nut do outro. Meu até então predileto lançamento de 2012 no Brasil. http://ameacacigana.bandcamp.com/ e http://soundcloud.com/marc0srodrigues/sets/split-amea-a-elefante

-Gerações Perdidas: a grata surpresa de Goiânia esse ano. Gente da gente tocando o típico hardcore/punk brasileiro aos moldes do Agrotóxico e companhia Red Star Records. http://www.myspace.com/geracoesperdidas

-Prokrastination Klan: The Decline of Western Civilization de São Paulo, gravação foda e toda a sujeira que o mundo precisa. http://prokrastinationklan.bandcamp.com/

-Urutu: N.W.O.B.H.M + Motorhead; som de ouvir e cantar com a caneca de cerveja pro alto. http://urutu.bandcamp.com/

-Skate Pirata: melhores refrões do mundo. http://skatepirata.bandcamp.com/


9 - Noto que você tem uma certa facilidade com a escrita, possui uma maneira bem bacana de detalhar as situações/ mini resenhas e etc., sei também que você faz jornalismo. Em que momento uma coisa se aproximou de outra em sua vida, digo, o fato de sua boa escrita te deixou mais próximo do mundo do jornalismo?


Valeu, cara! Esse negócio de escrever sobre rock é possivelmente o que mais gosto de fazer na vida. Fico feliz demais em compartilhar e absorver informação sobre isso, mas não acho que me deixou mais próximo do Jornalismo. Involuntariamente se aproxima porque, por um lado, rola a comunicação e o repasse de informação, mas por outro eu tô sendo extremamente sincero, autônomo, indiscreto e entusiasmado, não tô vendendo notícia e nem creio que deva. Acho que o Jornalismo omite boa parte do que deveria ser escrachado, então não sei se aprovo essa aproximação. Prefiro dizer que essas coisas tão me deixando mais próximas de mim mesmo e das pessoas que se envolvem e gostam desse mundo vasto tanto quanto eu, mas da farsa que é o Jornalismo “formal” eu até prefiro que não. Ando meio pessimista com o curso, cara. A intenção ainda é terminar, mas já não tenho muita certeza de mais nada. 


10 - Achei muito foda aquele lance de você soltar podcast de seu selo/blog. Como que rola a seleção das cantigas, tem algum cronograma mapeado em sua mente ou vai de forma aleatória/indicações, enfim, como que se dá esse processo?


Que massa que curtiu! Isso foi a prática de um negócio que eu já vinha planejando a um bom tempo. Piro nos podcasts da Maximum Rock’n Roll e gostava muito de um programa chamado Underground Ways, apresentado semanalmente por uns amigos de Brasília. Minha ideia era soar parecido, meio que tomar os dois como parâmetro e fazer algo pra ver no que dava. Como tenho o laboratório de rádio da faculdade à disposição, ficou tudo um pouco mais fácil. Só cheguei com um roteirozinho, li tentando passar um ar de espontaneidade e taquei as músicas por cima. O ideal é fazer sem ler, numa dinâmica de papo mesmo, mas o pouco tempo lá não permite muita embromação, infelizmente. Nos dois que fiz, meu único critério era mapear por blocos temáticos, o que não quer dizer que eles serão fixos por todos os que virão (exceto pelo de novidades, que quero manter). Hoje mesmo tava ouvindo uma banda chamada Active Ingredients, um som chamado “I Hate MTV”, e já pensei em fazer o “bloco do ódio” no próximo programa, só com músicas com essa temática no nome. O pessoal da MMR faz muito isso. Acho do caralho. É meio doido, rolam umas aproximações ridicularmente coerentes na minha cabeça e monto os blocos, assim como todo o texto que compõe os intervalos sonoros. O produto de oito horas por dia de ineficácia laboral tem me permitido fazer essas coisas, hehe. É foda, o pensamento só conspira pro rock, mas to me divertindo demais, e impressionado que tem um tanto bom de gente se satisfazendo junto. A ideia é fazer um por semana. Vamos ver até quando eu consigo. 


11 - Agora são as bandas: pode citar as novidades dos milhares projetos musicais brilhantes que você possui?


Quanto elogio pra uma entrevista só! Já to ficando sem graça e mal acostumado, hehe. Então, voltei pro Wc a um tempinho e tamo com uns planos mirabolantes de gravar, de um jeito meio ousado e diferente do nosso convencional; deve sair até o fim do ano, se o Alexandre largar a vida cigana e o nosso plano maligno e caseiro der certo. Com o Tirei Zero, já começamos, acho que uns 15 sons, mas tá uma novela. Falta de tempo, enrolação e horários que não se encaixam, mas também estimo que até o fim do ano/começo do ano que vem deve sair o cdzinho prensado.  O Possuido sai por agora também. Gravamos 5 sons, sendo que 4 vão pro lado de um split em 7” com o Conquest For Death. Minha vontade era montar uma banda de cada estilo que eu gosto, de samba a stoner, hehe. É um plano pra aposentadoria. 


12 - E o Atlético-GO, hehehe?


Olha, 2012 foi difícil, o ano a ser esquecido dentro dessa trajetória de ascensão do Atlético. Investiu nos jogares errados, o planejamento do Goianão não foi sólido pra se manter pelo resto da temporada... O resultado não poderia ser outro. Eu lamento muito, mas agora é esperar pra ver no ano que vem. Tenho um medo lascado de o Atlético descer a escadinha e morrer no limbo da série C por mais uma década, como foi por boa parte dos anos 90. Espero que não. De qualquer forma, por ser atleticano, eu só queria deixar uma coisa bem clara: eu não tenho absolutamente nada a ver com a morte do Valério.


13 - É isso mano, valeu pela atenção e escreva o que achar que deve. Abraço e até qualquer rolê imundo, beyjos.


Eu que agradeço, Genor! Fiquei muito honrado em poder fazer parte do melhor blog do mundo mais uma vez. Fique firme, continue com a correria e pode contar comigo pro que precisar. Quem quiser saber mais dessas parafernálias físicas e virtuais que tenho me envolvido, é só ir acessando o http://pretextodevagabundo.blogspot.com que vez ou outra posto algo por lá. Nos vemos! 

Foto por: Katira