ALZHEIMER PODCAST

pra esquecer das coisas ruins, pra lembrar das coisas boas

MARY O AND THE PINK FLAMINGOS

Surf-punk psicodélico do jeito que diabo gosta

PAQUETÁ

O fino do surf music underground

28.11.15

This is Canoas, not POA! - Festival reúne talentos locais em busca da integração da cena





Neste domingo acontece a quarta edição da festa que já é considerada a mais tradicional e também diversificada da cena roqueira canoense. This is Canoas, not POA reúne três bandas de diferentes estilos musicais, a partir das 18h, no Estúdio Black Bird. Os ingressos são retirados na hora por R$10.


Serviço: 
THIS IS CANOAS, NOT POA!
(Chega de pegar trem para curtir um bom show na cidade vizinha).
Quem? Paquetá, Mondo Calado e Baracy & Os Miseraveis.
Quando? Domingo, 29 de novembro, a partir das 18h
Onde? Estúdio Black Bird (Rua Saldanha da Gama, 661. Bairro Harmonia)
Quanto? R$10 


Conheça e escutem as bandas: https://thisiscanoasnotpoa.bandcamp.com

Sobre as bandas

Mondo Calado faz parte da nova safra canoense, porém é formada por figuras já conhecidas da cena musical da cidade: Jaison Bellissimo (voz), Jonatas Holz (guitarra), Jeferson Marchetto (baixo) e Roger Neres (bateria) mostram em suas composições tanto influências musicais – a politização das letras e a mistura de peso e groove imediatamente associam o grupo a antecessores como Planet Hemp e Rage Against the Machine (RAtM) – como da cidade onde cresceram e vivem, Canoas.
A banda tem mostrado seu trabalho no circuito independente gaúcho, principalmente na já citada Região Metropolitana da capital. Seu primeiro material foi lançado em 2013. O single “Aonde Você Se Encaixa” já mostrava o conceito musical que a Mondo Calado desenvolve desde 2012, data de sua primeira formação. A partir do segundo semestre de 2015, o grupo divulga uma série de singles que farão parte de um EP a ser lançado no primeiro semestre de 2016, e que promete chamar a atenção pelo trabalho artístico multimídia. A primeira dessa série de músicas é “Brasil Colônia”.

Paquetá é uma banda de Surfichedelic punk music ou Tropical Punk desagradável feira para gente desengonçada dançar. Uma singela homenagem a praia de Canoas, também conhecida entre os locais como prainha. O local também remete a muitas características do grupo canoense. Afinal é uma praia que não é bem praia e um surf music que não é bem surf music.

Influenciados por bandas como Man or Astroman?, Ramones, Dead Kennedys e pelas coletâneas “Back from the grave”. Aliás, "Paquetá" é uma palavra com origem na língua tupi. Significa "muitas pacas", pela junção de paka (paca) e etá (muitos). As pacas são: Bruno Fogaça (bateria), Daniel Hogrefe (guitarra), Vinicius Dagger (guitarra) e Wender Zanon (baixo).

Baracy e os Miseráveis traz a energia e irreverência do rock´n roll passeando por diversas referências que vão desde a jovem guarda-brega-psicodélica, passando pelo rock'a'billy-pop-visceral, até ao rock n' roll no seu estado mais cru, tosco, insâno, pervertido e as vezes fora de si.

LOCALS ONLY! 

Sobre o festival

Cooperação e não competição. Este é o lema do evento. A ideia é fomentar a cena local através de encontros de artistas e grupos de diferentes estilos e meios. Apesar do nome, a proposta não é tornar o evento em um festival bairrista. A integração, união e o intercâmbio são bem-vindos. O nome do festival é uma referência a compilação lançada em 82, pela Modern Method Records, que levava o nome de This is Boston, not L.A. Assim como naquela ocasião, os organizadores do evento acreditam que a música reflete o cotidiano em que vivemos. Assim, a música produzida em Canoas também possui características da nossa (tão amada) cidade. Seja na forma como é apresentada, na letra, no som, visual, estética ou textura.

This is Canoas, not POA surge com este propósito. Resgatar os shows autorais nos espaços privados da cidade e promover a união e cooperação de quem produz. Hoje em dia, os espaços mais utilizados pelos artistas autorais da cidade são espaços públicos. Estão aí o Ensaio na Praça, Igara Rock, entre outras ocupações para comprovar isso. Porém, os canoenses merecem mais. Muito mais espaços, mais ocupações, mais grupos, mais shows e mais arte. 

24.11.15

finds memorável e só.

Este final de semana que morreu vai ficar na memória de algumas dezenas de pessoas. Pra quem perambula pelo subterrâneo sonoro e identifica-se com hardcore/punk, a importância da gaúcha Ornitorrincos e da paulistana Futuro dentro desse cenário torto é inquestionável. Pois bem, nesse finds as duas bandas desembarcaram pra fazer apresentações aqui em Goiânia e na vizinha Brasília, e a ansiedade de meses fez-se presente quando o pessoal chegou por aqui e bateu a tradicional larica no self service vegano Loving Hut. Entre a timidez e a fome, fui trocando ideia com quem eu já conhecia e apreciando a farofinha-maravilha que complementava o meu cardápio composto por lasanha, purê e saladex. Enchido o bucho, partimos para o Frutos do Brasil (aka Frutos do Cerrado) pra fazer o Villaverde tentar bater o recorde de consumo de picolé (da derradeira vez, o cabra consumiu 7 picolés!). Não sei ao certo, mas parece que o bom raparigo conseguiu matar 8 compridos gelados de sabores peculiares do cerrado (pequi, gabiroba e outros mais...), enquanto eu fiquei entre a graviola e o cupuaçu. 

De lá fomos para o local do crime, o famigerado Gas 07, com o comboio composto pela Gulag, Ornitorrincos, Futuro e mais algumas cabeças. Eu desconhecia, mas o local passara por uma reforma recente, deixando o esquema tava refinado e proporcionando mais comodidade para público e banda. Entre uns ajustes e outros, montagens de merchans e coisitas mais, aos poucos fui trocando ideia com o pessoal das bandas, enquanto o público chegava de maneira sorrateira. Altas histórias boas que o Pedrim da Bang Bang Babies contou sobre presepadas de rolê em outros estados, e enquanto íamos matando o tempo entre uma ampola e outra, a Ímpeto preparava o baile da terceira idade. Fiquei na portaria de lero com a Fernanda e com receio da chuva que estava programada pra chegar naquela tarde/noite de sábado. Bom, passada a apresentação que peguei de rabo de olho, era a vez da magnífica Bang Bang Babies, a minha favorita daqui já por algum tempo. Entrosada, uniformizada, performática e maravilhosamente bem tocada, peguei parte da apresentação que me deixou extasiado, com o Pedrim mexendo num Teremim de uma forma bem frita, me lembrando alguma referência psicodélica garageira dos anos 60. Apresentação que surpreendeu boa parte do público, e posso dizer que a Bang Bang Babies está atualmente entre as três melhores de nosso cenário underground pequizeiro. Em seguida fui pra portaria e ficara sabendo através da boca de terceiros como andava a "grandiosa" final da série c. O que eu queria mesmo era ver, depois de alguns anos, o baile da Gulag. Conheci a banda numa apresentação fervorosa no Capim Pub, e sempre que posso indico pra quem é chamegado no estilo acelerado do som. Desta vez o esquema foi muito mais intenso e chocante, com o Julio fazendo uma performance impressionante, abalando sistema nervoso e sanguíneo de quem presenciou o belo raparigo em ação. Finalizada a apresentação e anestesiado pelo que tinha acabado de presenciar, a chuva foi chegando aos poucos, e tivemos que mudar a logística da portaria as pressas. Revezando na cadeira do monitoramento, vi o começo e o final da apresentação da Ornitorrincos, e amizade, que trem doido foi aquilo. Villaverde me fez lembrar algum vídeo do Jello Biafra em começo de carreira. Tapas na própria cabeça, enrosco no cabo do microfone, corpinho rolando no carpete e mirabolagens mil que deixou meu queixo quase deslocado e a cervical com várias pontadas de dores. O esquema terminou emocionante com "É Só Uma Questão de Distância". Eu já estava mais que satisfeito com aquela tarde/noite impecável, mas ainda tinha a Futuro e eu estava com uma dívida pessoal, já que da vez passada perdi o show por conta de compromisso. Dessa vez fiquei muito na expectativa, e tudo compensou quando a banda começou os acordes. Já tinham me dito sobre a Mila no palco, e comprovei vendo um ótimo vocal, sem falar na sonoridade maravilhosa que a banda despeja em nossos ouvidos. Pedro apavorando nos riffs e deixando a minha pessoa bem feliz ao cantar "Rumo ao Fim" num dueto fabuloso com a Mila. Terminada a apresentação, eu pude ver a felicidade estampada no rosto dos que estavam presentes. Não tive nada do que reclamar, apenas que poderia ter sido eterno e ponto. Nos despedimos, o pessoal voltou pra Brasília e fui descansar pra ver se animava de pegar a estrada no dia seguinte.

No domingo, acordei sem ter a certeza de que iria para o rolê em Brasília, mas a Nati despertou revigorada e os 200 e poucos quilômetros iriam fazer valer dentro de algumas horas da tarde daquele domingo. Pausa clássica no Jerivá pra urinar, rangar e comprar saquinho de amendoim e balinhas de pingo de mel que fazem você soltar bufas intermináveis. Entre uma perdida nas ruas da capital que revelou Phillippe Seabra, Dado Villa-Lobos, Dinho Ouro Preto e Rodolfo Abrantes, chegamos ao local da festa e logo fomos recebidos por Villaverde, Pícaro, Daniel & Cia. Como foi bem em cima do horário, peguei o início exato da Abismo, banda nova de Brasília que conta com o Poney (Violator, Cidade Cemitério, Possuído Pelo Cão) no vocal. Um clima sombrio fez valer através de um doom com passagens pelo post punk que ecoou pelo subsolo do Bar do Bendito Benedito. Apesar de não ser meu tipo de som favorito, gostei do que vi e ainda consegui carregar 38% da bateria de meu celular durante o show. Saí pra refrescar, conhecer melhor o ambiente, e enquanto a Tirei Zero apresentava lá embaixo, fiquei matando algumas ampolas e vendo jogo no telão até ficar um pouco sem reflexo nas pernas e olhares. Conversas com Insekto, Bá, Xopô, Villaverde, Lucas e Guilherme me fizeram perceber que as cenas só mudam de endereço, que os prós e contras são iguais em quaisquer lugares. Já era hora da Futuro subir no pequeno palco do porãozinho em formato boate. Desci, me ajeitei próximo as banquinhas dos merchans e vi uma apresentação linda, um pouco mais curta que em Goiânia, mas não menos intensa. Deu pra notar que o público seguiu no ritmo até o fim. Voltei pro andar de cima, peguei mas alguma coisa de algum jogo na telona e logo desci pra ver a passagem de som da Ornitorrincos. "Louva-Deus" teve uma passagem quase que como um começo do baile e quando começou o porãozinho veio abaixo. Outra apresentação memorável daquele quarteto poderoso. Villaverde e seus comparsas são incríveis, e ter um grand final com "Nuvem Passageira", "O Homem Louva o Louva-Deus" e "Mictório Público", foi pra revigorar a alma e recarregar as energias pro início de semana que estava por vir. Terminado o baile, nos despedimos em tom de saudosismo, e voltamos pra encarar a estrada. 

O saldo final desse rolê-maravilha foi a incrível troca de experiências com pessoas distantes, a vivência do hardcore/punk em sua essência e sem estrelismos, com muita amizade, amor e sinceridade. A saudade fica e o breve sempre pode ser possível pela boa hospitalidade, e sempre penso que as vezes reclamamos da vida sem olhar em volta, pois aprender a valorizar as pessoas e as coisas faz dessa passagem algo menos doloroso. Agradeço de coração ao pessoal das bandas, Daniel, Pícaro, Júlio, Fernanda, Nati,  Chita e pessoal do bar, Gustavo e Isabela. Espero que a próxima não demore.

20.11.15

Hang The Superstars - Causos do Rock Proibidão (Documentário) - 2015





Talvez essa foi a melhor fase do rock podre goiano, eu era novito e entortei a mente assistindo aos shows da Hang The Superstars. E digo talvez, pois não presenciei o final dos anos 80 e começo dos anos 90 desse nosso rock. Martim Cererê, chácaras distantes, bares, casas de eventos ridículas, cana, droga barata, rolê de madruga, cochiladas em praças, chão de área mijada de amigo servindo de dormitório e mais um monte de situações joviais inconsequentes que este rock goiano proporcionou, e a Hang foi a principal culpada pra boa parte de uma galera sem nenhum pingo de juízo e zelo pelos pais.
Esta película em formato de documentário reúne histórias e personagens conhecidos da cena, com direção da trinca Eduardo Kolody / Adérito Schneider / Maiara Dourado, o filme é um baita registro de uma época farta, bem ao naipe "Verão de 88", e que ficou na memória (ou não) de muitos. O esquema está disponibilizado no Youtube e logo abaixo você pode conferir esta maravilha do underground goianiense.


9.11.15

Mindcollapse - Untitle Demo (2015)



Essa é a segunda vez que abro espaço pra banda gringa, na primeira oportunidade falei da Sewer Trench e agogra chego pra falar da Mindcollapse. Oriunda de Madrid (Espanha), a banda conta com Lucio de Brito nas baquetas ultra-aceleradas, o cabra é um velho conhecido do esgoto sonoro goianense, e por aqui é identificado pela alcunha de Didi. Skatista dazantiga da região-maloca do Parque Atheneu e Jardim Mariliza, foi através dele que conheci a fase hardcore do Beastie Boys e o rapcore do RPW. Baterista da melhor qualidade, passou pela formação clássica da Ímpeto (não me recordo agora se o pequeno-mirôcho-homem passou por outra banda) e vazou pra ir morar em Madrid. Por lá ele produziu zine e inseriu-se na cena subterrânea européia com gosto, e resultado dessa doidice toda é esse incrível power-trio de grindcrust venenoso. A demo conta com 3 cantigas, ao melhor estilo velha escola da podridão sonora, curto, ligeiro e sem espaço pra falcatrua. Pra você que gosta de Disrupt, Cripple Bastards, Poison Idea, ROT e  as demais boas referências do som veloz, essa demo é bem indicada pra audição. Esse som é pau!

Página da banda: Mindcollapse

Ouça e baixe a demo aqui: