ALZHEIMER PODCAST

pra esquecer das coisas ruins, pra lembrar das coisas boas

MARY O AND THE PINK FLAMINGOS

Surf-punk psicodélico do jeito que diabo gosta

PAQUETÁ

O fino do surf music underground

29.5.16

Se liga em algumas tracks do disco de covers do Facada





De uns meses pra cá, a Facada, banda de grindcore de Fortaleza está soltado tracks do seu disco de covers intitulado "Nenhum Puto de Atitude". Em alguma sexta-feira sempre tem algum coisa nova em seu canal no Youtube, e tipo, versões apocalípticas de Titãs, Mukeka di Rato, Bad Brains, Napalm Death, Misfits e Sarcófago. O esquema está sendo arquitetado pra ser lançado pela Läjä Rex e EverydayHate em formato LP & CD. The Spaghetti Incident com Cantinão das Trevas, pra engasgar e perder o fôlego com a própria saliva.

Página da banda: Facada

Ouça as tracks aqui:










26.5.16

CVLPA - MMXVI - Demo (2016)


Sempre gosto de soltar novidades do subterrâneo neste sítio, e dessa vez divulgo um novo projeto chamado CVLPA. Misterioso e sem muitas informações, a banda/projeto soltou uma demo chamada "MMXVI" e que conta com 4 cantigas que exploram o que posso chamar de hardcore negativo. Sonoridade que mescla algo como o hardcore de Boston /NY dos anos 80 (Negative FX), black metal, crust, raw punk japonês e post punk, tudo num esquema que parece ser bem caseiro. Gostei do que ouvi e compartilho pra quem curiosidade/interesse tiver. No mais é ouvir e absorver a ideia. Obrigada!

Ouça:

Desalmado & Homicide - In Grind We Trust - Split (2016)


Mais uma vez de volta nesse podre espaço pra compartilhar música extrema de alta qualidade. E a paulada da vez é o cabuloso split "In Grind We Trust", que junta duas das mais poderosas bandas do cenário grindcore nacional da atualidade, a paulista Desalmado e a catarinense (de São José) Homicide. 
A bolachinha abre com o grindcore da Desalmado,  seis cantigas inéditas que sucede o elogiado EP "Estado Escravo" e que segue com a mesma pegada sonora: grindcore técnico com passagens de sludge e vocal gutural extremamente agressivo. As letras são caracterizadas pelo niilismo, abordando temas como a crença, o poder e o capital, comprovado nas faixas "O Pavor do Estado", "Hidra" e "Diáspora". 
A Homicide chega pesado com sete faixas de tirar o fôlego, explorando o grindcore com boas pitadas de hardcore/metalpunk e letras que criticam todo esse sistema social falido. Destaco as músicas "Vosso Líder", "Estado Terminal" e "Stupid" que resumem bem a extrema agressividade sonora que a banda transmite em cada segundo ouvido. Definitivamente isto não é para ouvidos sensíveis.
Com a incrível arte de capa assinada pelo artista e guitarrista da banda Manger Cadavre?  Marcelo Augusto, o disco é mais um maravilhoso lançamento da Black Hole Productions, um dos selos mais importantes do cenário da música extrema mundial. 
O split só possui pontos fortes, sendo um dos grandes lançamentos do grindcore nacional neste ano, fortalecendo e elevando o nível do nosso underground. Vida longa aos que remam contra a maré!



Página da banda: Desalmado

Página da banda: Homicide

Ouça o Split aqui:

24.5.16

Oldscratch - Padrões de Conserva (2016)



Aqui está um ótimo disco lançado neste ano dentro do nosso subterrâneo. A bolachinha em questão é da banda Oldscratch, lá de Maceió/AL, e que chega apavorando com o disco "Padrões de Conserva". Formada pelas minas Melinna (vocal e cordas finas), Julie (voz e cordas grossas) e Gabriela (voz e batuques), o power trio faz uma poderosa mescla de punk rock e grunge, tudo isso tendo o Riot Grrrl como base para a estética da sonoridade/letras e o feminismo como posicionamento contra os padrões patriarcais estabelecidos. 
O disco conta com 10 cantigas que abordam temas como a liberdade e autonomia do corpo da mulher, conflitos internos. Gravação boa, simples e sonoridade sincera, que me ganhou desde os primeiros segundos. Talvez seja isso que mais precisamos nesse underground, pois o menos sempre será mais, e mais uma prova disso é essa maravilha de disco, forte, intenso e contundente. Destaque para as músicas "Dona do Lar", "Padrões de Conserva", "Marido e Mulher?", "There's no Control", "Egoísmo" e "Machos Escrotos", ou seja, coloquei quase todas as faixas aqui (rizos) pelo tanto que gostei do esquema. Vale destacar também a bela arte de capa do registro, que leva a assinatura de Edinir Aprígio e toda a ideia em si, banda/disco/mensagem/sonoridade, gostei de tudo e espero que o som chegue ao maior número de pessoas possíveis. Portanto, ouça, baixe, compartilhe, compre, indique, pois o trampo tá foda e de responsa!

Página da banda: Oldscratch

Ouça e baixe o disco "Padrões de Conserva" aqui:

Ressonância Mórfica - Mapinguari (2014)


Poucas vezes eu escrevo alguma coisa. Não por falta do que falar, mas pela preguiça de expor o que talvez seja óbvio demais pra quem lê. Nessa prevenção provavelmente equivocada de dizer o já dito esbarro num vazio, justamente porque ninguém vai falar o que sinto além de mim mesmo.
Introduzi o texto com essa ladainha pra dizer que, a seguir, você não vai ler o que já foi por aí publicado sobre o objeto – Mapinguari, recém-lançado disco do Ressonância Mórfica -,  e sim as sensações que me ocorrem quando vejo a banda em ação, ouço as músicas ou trombo o Marcão ou o Luiz por aí. Sendo chato em dobro, acuso o que segue de “pré-resenha” ou um relato honesto sobre as coisas como elas são por quem enxerga a emotividade, o contato próximo e o deixar-levar como matéria-prima pra compreensão da coisa.

Mais que uma banda, percebo o Ressonância, hoje, como uma instituição. Pessoas que vieram de longe em busca de respostas ou fragmentos de mais-vida e que, entre os sucessos e fracassos das pessoalidades, fincaram um pacto de união inquebrável e agregador como razão pra seguir em frente. Inquebrável porque resistir tantos anos de vida subterrânea não é fácil; agregador pela unanimidade alcançada entre os adoradores da música feita com garra e paixão país adentro. E isso não é pra qualquer um.

Que remete ao Napalm Death todo mundo já sabe. Que flerta com as vertentes x-y-z da música extrema, também. O que instiga é lembrar que, mesmo diante dos mais variados obstáculos ou os mais temíveis imprevistos – passar necessidade pra ver sua banda rodando o país significa o que pra você? –, a disposição em ver as coisas acontecendo sobressai e traz sentido, porque é de coração. Um desprendimento raçudo, corajoso, alheio aos estereótipos pretensiosos ditados pelos modismos é o que sugere a obra, que tem muito valor por si só, mas, se contextualizada aos passos dados ao longo desses tantos anos de banda, pode ser visto como o mais pelejado e digno de valorizações-mil lançamento do rock goiano. É de se admirar.

Um outro ponto que eu preciso resgatar trata da importância que a banda teve na minha formação (sempre constante, nunca bastante) e compreensão da música, inclusive quanto às barreiras geradas pelos agrupamentos que giram em torno de um dado meio – o “underground”, nesse caso. Foi num show no extinto Terra do Nunca o meu primeiro contato com o Ressonância e, no auge dos meus 14 ou 15 anos, recém-introduzido e maravilhado com as possibilidades que eu mal sabia existir em torno do hardcore, ver o Léo, baterista da época, tocando aquela quebradeira toda com camiseta do Biohazard, por idiota que pareça, mexeu comigo. A postura do Marcão e presença do Bruno, um louco, também foram alvo da admiração e deram um nó na minha cabeça, afinal, era tudo muito explosivo, muito “não-metal” para as minhas precoces percepções. Depois disso passei a acompanhar a banda, frequentar shows de metal e, pouco tempo depois, envolto pelos intercâmbios com amigos daqui e de fora, tudo fez sentido. Era tudo uma coisa só. Manter uma relação de amizade com o Marcão me fez perceber que simpatia, compaixão e sorriso no rosto devem (ou deveriam) ser universais, independente do quão ilegível seja o logotipo da sua banda. Sou grato.

Quanto ao som, Mapinguari é o resultado natural de um processo de evolução, iniciado lá atrás comAgregados Onímodos Malditos e hoje aprimorado a um nível de maturidade musical – e lírica também, talvez a peculiaridade maior da obra – que flerta hardcore, grind e death metal com a propriedade de quem sabe o chão que pisa. Destaco os ótimos timbres do Luiz e a voz do Marcão, guias maiores do que o Ressonância foi, é e será (e isso não desmerece os trabalhos do Hemar e do Weyner, exímios em seus instrumentos). 

Enxergo um potencial danado nesses caras e encaro o Mapinguari não como a estagnação, mas como um ponto de partida para novos horizontes. Que os próximos trabalhos sejam tão audaciosos e desbravadores quanto os quatro são. 

Texto por Júlio Cesar Baron (Retirado do sítio Pretexto de Vagabundo Edições)

Página da banda: Ressonância Mórfica


Ouça o disco aqui:

O Som da Selva - Renegades of Punk - Euro Tour 2014 (2016)


Estou quase desaparecido das atividades do blog, mas vira e mexe tento atualizar e sempre estou atento ao que anda rolando dentro do nosso subterrâneo. E nessa semana que passou tive a grata oportunidade de ver e rever o documentário " Som da Selva", filme que mostra a aventura da Renegades of Punk pelo velho continente, isso nos idos de 2014. Depoimentos sinceros, o faça-você-mesmx mostrado a cada segundo de filmagem, punk tropical e coisitas mais. Pra você que identifica-se com esse nosso submundo, com a autogestão, cooperativismo e que busca outras alternativas que destroem o padrão social, assista este maravilhoso filme, total independente e que vai deixar você com mais vontade de fazer fazer fazer fazer fazer fazer fazer fazer fazer fazer fazer...

Página da banda: Renegades of Punk

Assista aqui: