16.5.12

Entrevista - Banda Coerência



Bom, lyndos e lyndas, entre idas e vindas de cabarés porcos da periferia da cidade, a gente do blog licor de chorume (BLC) resolveu levar um papo com a banda de hardcore melódico goianiense Coerência, o resultado dessa fuleragem vocês podem conferir nas linhas abaixo. Bruno, Victor, Régin e Katira bateram aquele lero goxtoso com os empenados desse blog e a resenha está aí, para você ler comendo torresmo com tiquira ou bebendo o refrescante refrigerante  Leão de Judá. Beyjos e boa leitura (ou não).



BLC - Vamos ao básico, quando surge a banda Coerência e qual a intenção como banda?

Em 2009 a gente entra em estúdio pela primeira vez e começa a experimentar e criar. Depois de alguns meses fazemos nosso primeiro show em 2010. A intenção sempre foi nos divertir, levar mensagens sobre o nosso cotidiano e o que acreditamos. Sempre tentar encarar as coisas de uma forma positiva

BLC - Quais as principais influências da banda?o que estão ouvindo atualmente?

Aquela escola californiana dos anos 90 junto com Dead Fish, Street Bulldogs e Garage Fuzz foi a base de tudo. Colligere, Bane e H2O também fazem parte dessa bagunça que a gente vem criando.

BLC - O que estão ouvindo atualmente?

Katira - O Inimigo, RVIVR, Defeater, Zander, Silverchair, RxDxPx e Minor Threat, Gorilla Biscuits e Black Flag que nunca faltam.
Victor - Pantera, Slayer, Mastodon, Isis, QOTSA, Pelican, Zander, Down e grunde em geral.
Régin - Your Demise, Bane, Champion, Rise Against e Dead Fish
Bruno - Close Your Eyes, Descendents, Foo Figthers, Garage Fuzz e H2O

BLC - O que acham da cena goiana (se é que existe pra vocês)?

Bruno - Penso que não existe "a" cena, mas sim, cenas no plural. Existem várias redes de pessoas que organizam shows e frequentam esses espaços. Percebo uma segmentação que passa pelas preferências individuais mesmo, questão de identidade e afinidade. Todas essas redes de produtores e bandas precisam entender a dinâmica pela qual passamos, e as novas maneiras de viver a música pera resignificar o que chamamos de "shows". 

Katira - A cena? Isso é tão complicado, né. Acho que o hardcore não tem o valor que merece, as vezes nem por culpa dos "grandes selos", mas por culpa das bandas também. Vejo muita gente reclamando por não ter espaço pra tocar, que ninguém chama e blablabla, mas não faz por onde. Só fica sentado esperando, aí não funciona mesmo não, hardcore é levar, ir e fazer e não esperar. Acho que temos o que merecemos.


BLC - Vocês transitam bem nas duas cenas undergrounds da cidade. Uma conta com estrutura muito boa e vaga (muita das vezes) por parte da formação do público, a outra conta com estrutura um pouco precária, porém, com muito conteúdo bacana para ser absorvido. Pode nos dizer da diferença que é tocar nesses dois ambientes? E o que acham de bandas de hardcore daqui da cidade que rejeitam tocar em lugares com pouca estrutura?

Bruno - Existe uma variedade grande de shows e público mesmo. esse trânsito a gente acha importante, e enquanto o canal do diálogo estiver aberto, vamos aproveitar. Estrutura é um termo que é muito variável, não é? Acredito que quando você sente uma conexão com aquele espaço e tem uma aguinha pelo menos, pouco importa, mesmo se estiver somente a banda ali dentro, vamos dar o melhor de qualquer forma. Lugares pequenos ou maiores, com pouca ou muita estrutura, tanto faz, você sempre pode se surpreender e sair mais feliz depois do show. 
Bandas que rejeitam tocar em lugares com pouca estrutura? É o seguinte, a experiência de cada um é impar. É importante ter honestidade por parte do organizador e da banda. Abre o jogo e fala que tipo de estrutura que quer e a oferecida e decidem ali numa boa. Já saí pouco satisfeito de shows com grandes estruturas e no fim ainda me deparo com uma bando de rock star figurão comendo do bom e do melhor no tal do camarim. Onde está o dinheiro pra pagar as bandas mesmo? Festivais com verbas públicas, apesar da estrutura, não estão praticando o retorno social e nem investindo nas bandas que no final das contas é quem garante tudo.

Katira - Isso é engraçado. Acho foda tocar em festivais bem estruturados, som bom e tal. Nunca encaramos isso de uma forma negativa. Por mais que boa parte do público ali não é o que gosta do som ou não conhece, tocando ali é uma possibilidade de novas pessoas conhecerem, buscar mais bandas parecidas e se interessarem mais.
Agora tocar em lugares pequenos, "sujos" e "suados" como é visto por aí, é muito mais orgânico, né. Não tem essa diferença de público e banda, de quem estar ali realmente estar porque quer ver, isso é muito foda. As vezes acho que a Coerência excluída dessa "cena hardcore" pelo fato de não negarmos onde tocar. Já fomos criticados demais por tocar, por exemplo, na Remanescentes. Mas é isso aí, não temos preconceitos, não escolhemos onde tocamos. Só tocamos!
Tá certo que eu não gosto de tocar em lugar com um som que não dá pra entender o que tá acontecendo, mas essa não é a realidade. O Old, por exemplo, tem um som que pra mim tá de boa. Um espaço legal e um som razoável, basta! Se é o que temos, sabemos lidar com isso. Se for pra se dar e esse luxo, perde a graça.

BLC - Falta mais bandas de hardcore melódico na cidade, acha que o estilo sofre preconceito por parte do público por ser um estilo que explora mais a melodia e os sentimentos nas músicas e letras?

Acredito que é uma questão de afinidade. Tem quem gosta e quem não gosta. Tem quem gosta, mas prefere ficar em casa. A música é uma parada dinâmica e plural, você tem vários gostos e algumas ondas de predomínio. O importante é continuar e procurar a própria banda. É, só posso dizer por nós mesmo, que não temos vontade nenhuma de parar.

BLC - Recentemente vocês saíram numa coletânea organizada pelo Nenê Altro. Foi surpresa essa escolha para a banda? E o que pensam a respeito desse tipo de iniciativa de pessoas/selos de organizarem coletâneas, sejam elas virtuais ou físicas?

Depois de dois shows que fizemos com o Dance Of Days, ele se mostrou interessado pelo som da banda, então a surpresa nem foi tanta, mas ficamos felizes e empolgados demais. Nenê pra mim, é um cara foda, mesmo com tantos dedos apontados, tantos falastrões, o cara tá sempre fazendo e fazendo. E isso é o que falta por aqui.

BLC - Percebemos que vocês tem uma boa articulação virtual, quais são os pontos positivos e negativos na visão da banda?

Internet é uma ferramenta fundamental que temos em mãos, então é saber aproveitar da melhor forma. Acho que conseguimos muito até hoje por causa da internet: amigos, contatos fora da cidade e mais um monte de coisa. O foda é você se prostrar e querer depender só dela. Não adianta você ter mil amig@s na página da sua banda se 17 vão ver você tocar.

BLC - Qual o recado que a banda deixa para aqueles que desejam montar uma banda de hardcore melódico?

Ande muito pelas ruas. Escute muito Bad Religion, Descendents, Garage Fuzz, Zander, Noção de Nada, Dead Fish, BANE, H2O, Colligere. Coloque-se nas músicas. Umas das marcas de um show de hardcore é você ver a banda dentro daquilo que cria.

BLC - Quais são os próximos objetivos?

Um CD! Estamos analisando ideias para levantar fundos pra conseguir essa empreitada. E também, ampliar nosso diálogo tocando fora...São Paulo, Minas, Nordeste, Sul, Norte.

BLC - Bom, é isso galera, agradecemos a atenção e fiquem avontis para deixar a mensagem final. Abraço.

Valeu trutas. O licor cumpre um papel importante e agradecemos o espaço. Quem quiser conferir mais, é só procurar nossa página no facebook e buscar por "Coerência".


Abaixo segue o vídeo da música "Viver e Navegar"


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