22.3.11

Suór, hematomas e brilho no olhar

Sabe, nem era pra isso está sendo escrito, nem era pra você está lendo esse tosco relato, pois numa sexta a noite o mais óbvio seria eu cumprir com minhas obrigações acadêmicas e assistir aulas programadas para terminar as 10 da noite. Já pensou, aula na sexta já não é uma coisa para um cristão, pessoa de bem e tal, ainda mais à noite, penso que isso só serve para testar a sua fé e sua força de vontade. A minha é até grande(a força de vontade, que fique bem claro!), mas naquele específico dia, eu já estava com a mente mais malandra do que peão dando miguelagem em fim de expediente, pois naquela noite, na minúscula e "arejada" sala do Old Studio, a banda Discarga, de São Paulo(sim, aquela que já tocou no Obscene Extreme, tem o Juninho no baixo e blá blá blá...) iria fazer uma apresentação e a expectativa, não só minha, mas de boa parte dos que iriam presenciar o fato era de como aquela salinha iria suportar tamanha espectativa e insanidade já conhecida dos lindos daqui. Fato é que a noite prometia e mesmo com a ameaça da chuva querer estragar o rolê de alguns, a espectativa eram as melhores. Sei que cheguei "cedo" no local, avistando apenas a figura inconfundível de Wilton Obeso, sim, o garoto que quando pequeno participava de todos os programas toscos via telefone , forçado por sua avó e que protagonizou a hilária participação no extinto Programa Fantasia(clique aqui e comprove). Bom, aos poucos a galhere ia chegando, alguns falando que tinham dado o pinote no trampo, outros no cursinho, outros nas namoradas e alguns não tinham argumento nenhum, eram vagabundos por opção mesmo. Adentrei no estúdio e já tinham alguns bonitos e bonitas por lá, jogando uma sinuca básica, fumando, proseando sobre a noite que prometia ser histórica para os amantes da música rápida. Logo começara as apresentações, iniciadas pela banda Coerência, daqui da capital, joviais que fazem um hardcore melódico bem intenso e técnico. O show dos bacharéis pelo que presenciei, deixou boa parte dos presentes na salinha bem impressionados com a rapidez e força com que a banda se apresentava ali. Confesso que foi o melhor concerto que vi dos lindos, bem melhor daquele que presenciei há algumas semanas atrás no Martim Cererê. Com certeza a diferença de público e de espaço contribuiu para a minha satisfação. Suado levemente, meu corpo mal poderia esperar pela sopa que eu iria virar ao final de tudo. Entre conversas interessantes, proveitosas e por vezes hilárias(né, Feurnanda?), vi que eu já estava meio alterado por conta das latinhas azuis que minha pessoa degustava com muita competência. A presença de alguns modelos como o Diego(Todos Contra Um, Sailor Edge...) e Alysson(DxDxO, Repúdio CxGx e Demonterror) faziam daquela reunião de decadentes ainda mais agradável. Deixei meus amados coleguinhas do lado de fora do recinto e parti para a apresentação dos carroceiros candangos do Nossa Escolha. Hardcore oldschool empenado, do naipe de freezer de plástico de mobilete que fica exposto ao Sol. Os bonitos tem o dom de emocionar velhos e moços com suas canções rápidas e seus covers de Youth Of Today e demais lindezas do gênero. Certo era que Felipex não segurava os vocais sozinho, dezenas de muitos doutores vociferavam juntos, libertando demônios incrustados no decorrer de uma semana conturbarda, cheia de pressões e cobranças. Fiquei muito estasiado com o concerto dos embaixadores, o mesmo só ocorreu quando passei 5 horas dançando e chorando ao som de Zezo, lá no salão do Centro Comunitário do Recanto do Bosque. Pois bem, tudo estava dentro dos conformes, com alguns projetos sendo fechados para um futuro próximo, discussões sobre a melhoria da cena em aspectos de consciência do público, melhoria dos locais, dos eventos e surgimento de bandas. Conversa vai, conversa vem e Júlio, o Marcelo Camelo dessas terras centrais, avisara que o Tirei Zero iria bailar em alguns minutos. Deu até pra ouvir alguns gritinhos de algumas cocotinhas histéricas que estavam ali por perto. Pois bem, fui e vi uma apresentação mais do que elegante, com o Sr. Pedrinho presenteando todos com moshes a lá Ice Blue. Discurso forte, praticamente todos gritando todas as letras da banda de forma bem intensa e Bruno(o filho bastardo do Juninho....hahaha) sendo erguido pelos toscos presentes naquela sauna de forma bem bonita. O desfecho com duas canções do Cólera fizeram o local literalmente dilatar. Hematomas e dores eram vistos em pernas, braços e rostos dos belos ali presentes. Apresentação muito lynda!
Bom, naquela altura minha roupa já estava tomada pelo meu suór e dos demais que compartilharam de forma direta ou não. Psicologicamente eu tinha perdido uns 8 quilos e estava bastante satisfeito em rever amigos de longa data, perambulando por ali. Mas o melhor estava por vir, e o melhor era a enorme espectativa que se criou sobre a apresentação do Discarga(SP) naquela salinha aconchegante. E digo, senhores e senhoras, que apresentação cabulosa do power trio, rapáiz. Minha felicidade em presenciar algo de tão perto foi tamanha que desferi alguns golpes no corpo de Bruno, causando sequelas perdoáveis e compreensíveis por parte do jovial. Toda aquela semana cheia de compromissos, de contas para pagar, de filhos para cuidar e tal, deu lugar para uma libertação orquestrada ao som dos paulistas. Apresentação épica, literalmente acima de minhas espectativas, observando de perto a emoção e o brilho no olhar de cada um que ali estava, suando, gritando ao som do hardcore. Presepadas? Ocorrem, sempre houveram, ainda mais no Old, então se não houver uma certa compreensão de que o lugar é pequeno e que esbarrões acontecem, o melhor é ficar em casa e assistir algum filme cult francês, certo? Tirando esse detalhe, foi com certeza o melhor concerto que vi na Rua 24, pelos(as) amigos(as), pelo discurso, pela noite e pela cerveja geladinha/caldo de frango que eu degustei de forma bem peculiar. A certeza de que esses lugares, com pessoas simples, sem frescura, com idéias bem relevantes são os melhores lugares para estar, confirma a cada rolê, a cada pessoa nova que eu conheço, a cada olhar sincero que presencio em joviais sufocados por uma sociedade que cobra postura compatível com o sistema e tal. Certo é que se você não foi por um motivo irrelevante, a certeza é que tu perdeu muita coisa e que quem ali estava teve a certeza de que as coisas podem acontecer sem dinheiro, mas com muita dedicação e organização. Aos organizadores agradeço pela noite memorável, aos amigos e amigas pelas conversas agradáveis e aos cuzões fica um aviso de que hardcore não é lugar para socos, retalhações bestas ou algo do tipo. Um ponto negativo desse evento foi a minha lesura em esquecer de levar um mp3 para tocar os clássicos bregas de Adelino Nascimento, Julio Nascimento, Osvaldo Bezerra, Zezo, Raimundo Soldado e Cristiano Neves. No mais, foi muito lyndo e que venham mais desses!Beijo no coração, amados(as)!


Quase todas as fotos por:http://twitter.com/#%21/Luerisonx

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