15.12.10

Artificialidade e Conflito





Quando estes textos começaram a ser elaborados, comecei a pensar no assunto que irei desenvolver. Tive oportunidade de trocar idéias, discutir e analisar sobre minhas cogitações. Tenho muitas dúvidas, e raciocínio, claro, com as realidades atuais, com as condições em que vivemos. É difícil formular hipóteses sobre emoções, sentimentos e atitudes. Analisando alguns fatos após um conflito violento, que provavelmente o motivação tenha sido de ordem emocional, e conscientemente esforçando por ater-me e confrotar-me apenas como observador, minha percepção foi que as pessoas gostam de se mostrar boas, justas e dignas de toda confiança. Mas em seu íntimo esconde sentimentos hediondos e cruéis a espera da primeira oportunidade de explorar e usufruir em benefício próprio. Em uma cultura, onde as restrições e frustrações são impostos ao indivíduo para que possa viver em grupo, o artificialismo parece ser uma regra geral. Essa frustração é uma fonte de medo e angústia. A ela ninguém escapa, seus vetos e tabus exercem poderosa pressão sobre a mente. Existem várias formas de se frustrar, e há também várias formas de compensar essa frustração. Os conflitos se iniciam e se conservam, repercutindo no dinamismo da vida cotidiana de forma peculiar em cada indivíduo. Os deslocamentos, transformações e inversões dos quais participamos torna difícil compreender tais reações. Mas sem compreendê-las não podem ser eliminadas.
Meu interesse no conflito é de ordem intelectual, no sentido mais amplo e profundo, fugindo de clichês que observei em alguns pontos de vista. Quero ater-me ao conflito de ideais, que levem a discussões onde se possa produzir algo que se possa levar a reflexões. Não acho relevante discutir sobre conflitos fúteis que levam somente a agressões físicas.
Por outro lado, porém, no íntimo da minha natureza humana, também produzo artificialidade. Criticar e analisar o comportamento, sentimentos e ideais alheios são fáceis. A dificuldade é tomar consciência e agir de forma a resolver nossas fraquezas e ser coerente. Penso que debater e opor-se aos conceitos, perseguir soluções, levar dentro de si o conflito, a inquietação, enfrentar a si mesmo, sejam características que a maioria não querem tomar como próprias. Contestar decepciona ou surpreende, e talvez seja essa a razão da covardia que define a conduta de tais indivíduos.
Cumpro-me a fazer esses comentários sobre minhas observações e pontos de vista, pois acho relevante a percepção individual que faço de mim mesmo e dos indivíduos que convivo por opção, ou não. Tenho interesse em compreender edebater ideais que, principalmente, são opostos ao que exponho. Observar e confrontar, e não apenas testemunhar, uma cultura social que ainda depende e precisa de grandes modificações.


Júnior
letargiazine@hotmail.com

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