6.11.10

Um dia de domingo (Verdurada-DF)

Domingo, 31 de outubro, o dia era chuvoso em Goiânia e o clima nas ruas só se remetia à eleição de 2º turno. Em meio a esta canalhice autorizada, lá estava eu na maior espectativa de ir e conferir a 1º Verdurada de Brasília-DF. Pois bem, passado por um almoço pesado de baião de dois feito pela mamãe querida, estava eu ciente que iria enfrentar cerca de 2 horas e pouco dentro de um Gol branco (mais rodado que donzela de meia idade que reside no interior...). Histórias hilárias durante o trajeto, trilha sonora do naipe de "Sorria" do eterno diamante negro Evaldo Braga e "Feiticeira" do elegante Carlos Alexandre, devidamente aprovados e apreciados por André Alemão e sua esposa Dri, com Bacural mapeando cada canção de forma primorosa. Depois de meu ouvido e dos demais serem devidamente amaciados com tais cantigas, vi que tinhamos chegado ao local sem maiores dificuldades, fato muito raro, por isso aquela tarde/noite já tinha começado bem.
Adentrei no local e logo fiquei sabendo que havia perdido o show da banda Gulag, ou algo do tipo, uma pena, pois ensaio ver uma apresentação desses lindos já tem uma cota e algum macumbeiro de marca maior deve sempre fazer um trabalho magnífico para a minha pessoa, pois a zica sempre bate em minha porta
quando programo em vê-los. Porém eu peguei o final do show dos curitibanos do Black Sea, e posso dizer uma coisa amigo(a), bem escroto o que presenciei, instigante, um som experimental muito bem executado com um vocal soando meio screamo, gostei muito do pouco que vi! Logo em seguida entrou o pessoal do xLost In Hatex, não vi a apresentação dos rapazes, pois lá estava eu atrás de umas ampolas pra aliviar o diurético e fiz isto em uma loja de conveniência próximo do local, na companhia de André Alemão e Dri, pessoas magníficas de conversar e de se estar, vale muito ressaltar. Conversa vai, bebida vem e o dono do recinto em que estávamos pediu de forma "bem educada" para que nos retirássemos do local. Fizemos. Sem mais!
Então fui ver a apresentação dos trutas goianienses do Tirei Zero, porém antes peguei um pedaço de uma palestra sobre mobilização urbana. Bem interessante e proveitosa por sinal. Voltando para a elegância das apresentações, os modelos de Goiânia subiram ao palco, e mano, que show foi aquele, os caras pareciam que estavam devorando os instrumentos. Com o "homem borracha" Pedrinho nos vocais, saltos, moshes e alguns passos de balé contemporâneo eram bem possíveis de serem vistos naquele recinto, juntamente com uma galera anormal que vociferava todas as letras de forma bem intensa. De quebra, a galhere fechou a apresentação com um clássico do Cólera (Quanto Vale A Liberdade?), na voz aveludada e presença mais que elegante de Bacural, e falo, o local veio abaixo literalmente, quase perdi meus dois atacantes da boca e vi lágrimas misturadas com suór nos rostos de alguns e a certeza de que aquele show já tinha feito valer a pena o meu deslocamento para aquela região. Simplismente histórica a apresentação desses malucos!
Pois bem, recuperado o meu fôlego com algumas garrafas de água, me ajeitei para ver o show dos carroceiros do Nossa Escolha, que tiraram um hardcore old school emocionante naquele espaço. A energia do quarteto era algo surreal e até certa altura da apresentação eu já estava estasiado e bem satisfeito com o que minha pessoa presenciava. Porém eis que uma mina mais que lindinha sobe ao palco pra cantarolar uma música, e qual era negada, qual era? Simplismente era "Hope" do X-Acto e com toda a certeza, vi a emoção bater no peito de velhos e novos, todos em um côro só. Emoção igual eu só presenciei com o inconfundível Pepe Moreno tirando "Menino de Rua" em seu potente teclado lá na Chácara do Japonês, lotado de rapariga cheirando talco!
Naquela altura do campeonato, meu fôlego já tinha ido pro saco e consegui ver um pouco da apresentação dos catarinenses do Nunca Inverno, banda muito competente que tiraram um hardcore melódico de qualidade, mas fiquei com a impressão de que os dois shows anteriores prejudicaram um pouco a empolgação do público na apresentação dos lindos, mesmo assim, consegui ver um povo cantando todas as letras de forma bem verdadeira. Logo em seguida rolou o jantar vegan, e mano, tirei meu chapéu para aquele povo que se alimentava de soja, pois enquanto eu via diversos sorrisos e caras de aprovação dos que comiam tal iguaria, fiquei totalmente deslocado e somente naquele instante senti falta de meu mundo, mas isso é outra história e minha insatisfação acerca da alimentação era mínima perto da grandiosidade que aquele evento estava me proporcionando. Vi um pouco do rap do xEdgex, que do pouco que sei sobre o estilo esperava mais do americano, que entre um playback e bases que iam de Eminem à Dr. Dre, o maluco fez os quadris de algumas lindinhas balançarem de forma interessante naquele ambiente. Com relação a organização, pode-se dizer que quase tudo ocorreu perfeitamente bem, em se tratando de um evento em sua primeira edição. Vi bancas com materiais bem interessantes e bem organizadas, lixeiras bem localizadas, o local se manteve limpo do começo ao fim do evento e a falta de água no final foi compreensível, tendo em vista que a espectativa de público por parte dos organizadores eram menores daquele ali presente.

O que se pode tirar de lição de um evento como esse? Que existe sim espaço para a tolerância, respeito e amizade, que existe um mundo possível que pode ser feito em seu bairro, centro comunitário, com sua galera e que esses lugares são os melhores para se estar, se divertir e se conscientizar. Não tem como alguém sair pior de algo como a Verdurada(DF) em que a coletividade prevalece em prol de um bem comum. Com certeza esse rolê ficará na memória como um dos melhores que fiz em BSB, pelas expectativas criadas, tanto do lado positivo quanto do lado negativo e da satisfação ao final de tudo. Parabéns à todos que fizeram esse corre brutal e proporcionaram uma tarde/noite inesquecível para muitos que ali estavam. E que venha a próxima edição! Vida longa para os verdadeiros! Beijo no coração, meus amados(as)!

Fotos por: Marina Frizzera

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